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17 de janeiro de 2013 • 20h49 • atualizado às 20h59

Tropas africanas chegam ao Mali para ajudar missão francesa

Soldados do Exército nigeriano se preparam para viajar ao Mali, no centro de manutenção de paz do Exército nigeriano, em Jaji, perto de Kaduna, na Nigéria, nesta quinta-feira. 17/01/2013
Foto: Afolabi Sotunde / Reuters

O primeiro contingente de uma nova força regional africana chegou nesta quinta-feira ao Mali para auxiliar as tropas locais e francesas que combatem rebeldes islâmicos no norte do país.

Cerca de 100 soldados togoleses desembarcaram em Bamako e forças nigerianas já estão a caminho. Contingentes do Níger e do Chade estão se agrupando no Níger, país a leste do Mali.

A expectativa inicial é de que a força africana, autorizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), só estaria operacional em setembro, mas a intervenção militar francesa iniciada na semana passada acelerou as coisas.

Militantes ligados à Al Qaeda controlam grande parte do norte do Mali desde o ano passado. Para tentar contê-los, a França tem bombardeado posições rebeldes, além de movimentar 1.400 soldados por terra.

Nesta quinta-feira, os militares da França enfrentaram alguns insurgentes na pequena localidade de Diabaly, mas evitaram um ataque total, já que os combatentes se refugiaram nas casas de civis, segundo moradores.

Uma moradora que fugiu da cidade durante a noite com três filhos disse que Diabaly ainda está ocupada por muitos militantes islâmicos. "Toda vez que eles escutam um avião sobrevoar, eles correm para as casas, traumatizando as pessoas", relatou ela.

O presidente da França, François Hollande, disse que a intervenção militar foi necessária porque os militantes ameaçam transformar o norte do Mali, uma ex-colônia francesa, em um "Estado terrorista", usando a região como base para cometer atentados em outros países.

Numa aparente retaliação, militantes islâmicos da vizinha Argélia tomaram dezenas de estrangeiros como reféns em uma usina de gás no Saara.

Ao todo, 2.500 soldados franceses são esperados no Mali, mas Paris pretende rapidamente transferir a missão para a força militar da Ecowas (bloco regional da África Ocidental), que em dezembro obteve autorização da ONU para mobilizar um contingente de 3.300 soldados com o objetivo de retomar o norte malinês.

Uma ofensiva rebelde no centro do Mali foi contida na semana passada pela ação aérea e terrestre dos militares franceses.

Um comboio de veículos blindados, caminhões de combustível, ambulâncias e cerca de 200 soldados do Níger está estacionado junto à fronteira leste do Mali, segundo testemunhas. Um repórter da Reuters no local disse ter escutado estrondos de armas pesadas, quando os militares testavam sua artilharia.

A comunicação com moradores de cidades malinesas controladas pelos militantes islâmicos se tornou mais difícil porque as torres de telefonia celular deixaram de funcionar. Moradores disseram que os insurgentes veem com desconfiança quem usa telefones por temerem o vazamento de informações para o inimigo.

"Não há mais delegacias de polícia. (Os militantes islâmicos) se dispersaram pela cidade, se misturando à população", disse Ibrahim Mamane, morador da cidade de Gao que conseguiu chegar à fronteira com o Níger.

"A população está pronta e está esperando as forças francesas de braços abertos. Se eles atacaram Gao, a população vai combater os islamistas de mãos nuas", acrescentou.

(Reportagem adicional de Tiemoko Diallo, em Bamako; de Benkoro Sangare, em Niono; e de Noel Tadegnon, em Lome)

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