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Snowden solicitará asilo temporário à Rússia e diz que não se arrepende

12 jul 2013
11h37
atualizado às 11h43
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O norte-americano Edward Snowden, que revelou os serviços secretos de espionagem do governo do seu país, disse nesta sexta-feira que está solicitando asilo temporário à Rússia e que não se arrepende do que fez.

O ex-prestador de serviços da Agência de Segurança Nacional está desde 23 de junho na área de trânsito do aeroporto Sheremetyevo, em Moscou.

Nesta sexta-feira, ele rompeu seu silêncio em uma reunião com ativistas de direitos humanos, acusando os governos ocidentais de estarem manobrando para impedir que ele chegue a algum país latino-americano disposto a lhe conceder asilo.

Snowden disse ainda que pretende permanecer na Rússia até conseguir uma "passagem segura" a um destino definitivo.

Os Estados Unidos reiteraram seu pedido à Rússia para que entregue Snowden e disseram que a concessão de asilo irá "gerar preocupações" por servir como "plataforma de propaganda".

O presidente norte-americano, Barack Obama, manifestou nesta sexta-feita em telefonema ao presidente russo, Vladimir Putin, as preocupações dos Estados Unidos com o tratamento dado por Moscou a Snowden, segundo um alto funcionário do governo.

Snowden, que vivia com a namorada no Havaí antes de fazer as revelações sobre a espionagem norte-americana, disse na reunião desta sexta-feira que abriu mão de uma vida confortável por causa da denúncia.

"Há pouco mais de um mês, eu tinha família, uma casa no paraíso", disse Snowden, de 30 anos, numa reunião a portas fechadas, mas que teve trechos mostrados na TV russa e em um site bem relacionado com os órgãos policiais russos.

"Eu também tinha a possibilidade de, sem qualquer mandado de busca, apreender e ler suas comunicações. As comunicações de qualquer um, a qualquer momento. Esse é o poder de mudar o destino das pessoas", disse ele.

O Kremlin declarou que Snowden só poderá permanecer na Rússia se parar de fazer revelações prejudiciais aos Estados Unidos, condição estabelecida por Putin em 1º de julho e que teria levado Snowden na época a retirar o pedido de asilo russo e a solicitá-lo a outros países.

"Snowden quer seriamente obter asilo político na Federação Russa", disse o parlamentar governista Vyacheslav Nikonov, que participou da reunião organizada com a ajuda das autoridades em um local não revelado do aeroporto. Sem visto russo nem passaporte válido, ele não pode passar pelo guichê da imigração.

Snowden, que tem ofertas de asilo da Venezuela, Bolívia e Nicarágua, pediu ajuda para "solicitar garantias de passagem por parte das nações relevantes garantindo minha viagem à América Latina". Não está claro quando ou como isso poderia acontecer.

"Ele quer seguir adiante, quer se mudar para a América Latina - ele disse isso bem claramente", disse Tanya Lokshina, funcionária local da entidade Human Rights Watch que participou da reunião. "Mas, a fim de que seja garantida a segurança aqui na Rússia, a única forma seria ele apresentar uma solicitação formal de asilo."

(Reportagem adicional de Alessandra Prentice)

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