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Snowden desiste do asilo na Rússia e busca refúgio em outros países

2 jul 2013
10h10
atualizado às 10h28

O americano Edward Snowden, bloqueado há nove dias no aeroporto de Moscou, desistiu nesta terça-feira de pedir asilo à Rússia e espera agora a resposta dos demais países aos quais pediu refúgio para evitar ser extraditado aos Estados Unidos, que quer julgá-lo por espionagem.

Snowden, que solicitou o asilo a outros vinte países, entre eles China, França, Cuba, Equador, Brasil, Bolívia, Espanha, Nicarágua e Venezuela, não recebeu até o momento nenhuma resposta positiva.

No entanto, o presidente da Bolívia, Evo Morales, informou nesta terça-feira que o país está disposto a considerar um pedido de asilo político do americano, mas que ainda não recebeu nenhum pedido oficial.

"Se houver esse pedido, é claro que estamos dispostos a debater, a analisar este tema", declarou Morales em uma entrevista à rede de televisão RT.

Já Espanha e Polônia responderam negativamente ao pedido, enquanto a Áustria confirmou ter recebido um pedido em sua embaixada de Moscou. A Índia também negou o asilo e apoiou o programa de espionagem eletrônica dos Estados Unidos revelado por Snowden.

Na segunda-feira, o ex-assessor de inteligência americana acusou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de "pressionar os líderes" dos países onde busca proteção, em uma declaração publicada no site da organização WikiLeaks, a primeira desde sua saída de Hong Kong, há nove dias.

Snowden acusou Obama de ter ordenado que seu vice-presidente, Joe Biden, pressionasse os líderes dos países aos quais pediu asilo para conseguir sua extradição.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, anunciou nesta terça-feira que Snowden havia deixado sem efeito sua demanda de asilo, apresentada em seu nome no domingo passado pela britânica Sarah Harrisson, uma integrante do WikiLeaks, que acompanha o jovem americano desde sua saída de Hong Kong, no dia 23 de junho.

"Quando soube ontem a posição de Putin (o presidente russo) sobre as condições necessárias para ficar na Rússia, desistiu de seu pedido", disse Peskov.

Vladimir Putin afirmou na segunda-feira que Snowden só poderia ficar na Rússia se abandonasse "suas atividades que têm por objetivo prejudicar" os Estados Unidos.

Como Snowden "se considera um defensor dos direitos humanos, está claro que não tem a intenção de cessar suas atividades, razão pela qual deve escolher um país para onde ir", havia acrescentado Putin.

Snowden, que revelou a existência de um programa secreto em grande escala dos Estados Unidos para espionar as comunicações telefônicas e de internet, vazou nos últimos três dias novos documentos relativos à espionagem americana dos países europeus.

Estas novas revelações provocaram uma resposta enérgica de vários países europeus e de instituições da União Europeia.

O presidente do Parlamento Europeu, o alemão Martin Schulz, afirmou que as revelações de Snowden colocam em evidência "métodos que eram utilizados em outra época pelo KGB", os serviços secretos da União Soviética.

"Snowden demonstra que os Estados Unidos tratam seus sócios próximos, a Alemanha, por exemplo, mas também a União Europeia em seu conjunto, como potências hostis", acrescentou Schulz em declarações à televisão pública alemã ARD.

A decisão de Snowden de retirar o pedido de asilo é uma boa notícia para a Rússia, considerou Alexandre Konovalov, especialista do Instituto de Avaliações Estratégica.

"A Rússia está interessada em se livrar o mais rápido possível de Snowden. Não nos convêm buscar problemas com os Estados Unidos", disse Konovalov à AFP.

A decisão de Snowden é uma forma de aumentar a pressão sobre o Equador, cujo presidente, Rafael Correa, havia dito à AFP que o pedido de asilo na Rússia podia solucionar o caso.

"Minha opinião é que o pedido ao governo russo já poderia solucionar definitivamente a situação do senhor Snowden", disse Correa à AFP sem se desvincular completamente do assunto.

"Jamais vamos nos desvincular destes temas nem dos que afetem a humanidade, jamais vamos evitar responsabilidades. Se o senhor Snowden chegar ao território equatoriano e o pedido de asilo se mantiver, o tramitaremos e o faremos de forma soberana", sustentou Correa.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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