<
- Entre vencedores e derrotados nas mudanças políticas na Europa, ninguém parece estar tão isolada quanto a todo-poderosa chanceler alemã, Angela Merkel. Na França, François Hollande tratou logo em seu primeiro discurso de afirmar que novos ventos sopravam e que a austeridade não era a única opção. Além disso, a conturbada situação da Grécia, o colapso do aliado governo holandês e uma derrota em casa representam reveses que podem abalar a liderança de Merkel na Europa Foto: AFP
- Na França, os eleitores substituíram Nicolas Sarkozy por François Hollande. Sem Sarkozy, Merkel perde o seu principal aliado na aplicação do plano de austeridade na Europa. A dupla era tão afinada que criou-se a imagem da política "Merkozy", um centro de poder vital para convencer os demais países da zona do euro de que o aperto fiscal é necessário. Com Hollande e seu discurso de que a "austeridade não é inevitável", Merkel pode se ver com uma voz isolada pró-austeridade Foto: Reuters
- O isolamento, no entanto, não quer dizer que Merkel esteja errada. A própria Alemanha implementou políticas de austeridade em 2003, em governo anterior, e viu o desemprego cair de 5 milhões para 2,8 milhões de pessoas. O país é o único a apresentar forte crescimento na Europa e seus bancos foram os principais financiadores do resgate à Grécia. Sem a Alemanha para impulsioná-la, a Europa não tem como sair da crise, o que vem afetando as relações políticas no velho continente Foto: Reuters
- Merkel não está livre de reveses nem em casa. Nas eleições do Estado de Schleswig-Holstein, os democratas-cristãos, seu partido, venceram o pleito por uma margem mínima, mas podem não conseguir formar um governo pelo fraco resultado de aliados. Em seu lugar, uma inesperada coalizão formada pela oposição social-democrata, pelo Partido Pirata, por verdes e minorias dinamarquesas pode chegar ao poder, um indicativo de que há incertezas na própria Alemanha sobre a liderança da chanceler Foto: AP
- Novos ventos realmente parecem estar soprando na Europa, e eles não trazem bons agouros a Merkel. Em abril, os conservadores holandeses se viram obrigados a renunciar após a extrema-direita, vital para sustentação da coalizão no poder, deixar o governo em protesto contra as políticas de austeridade. Merkel disse na segunda-feira que o pacto fiscal "não é negociável", em resposta às propostas de alteração no plano que impõe limites rígidos ao déficit comercial e interno dos países Foto: AFP
- Na Grécia, os eleitores parecem não saber o que querem - a extrema-esquerda e o partido nazista registraram o maior crescimento no pleito -, exceto o fim dos cortes orçamentários exigidos para a aplicação do resgate que salvou o país da falência. Para piorar, a Grécia parece não estar perto de conseguir formar um governo nem a favor nem contra a austeridade. Se os gregos decidirem pelo calote da dívida e abandonar o Euro, a crise pode se espalhar ainda mais pelo continente Foto: AFP
1
6
Entre vencedores e derrotados nas mudanças políticas na Europa, ninguém parece estar tão isolada quanto a todo-poderosa chanceler alemã, Angela Merkel. Na França, François Hollande tratou logo em seu primeiro discurso de afirmar que novos ventos sopravam e que a austeridade não era a única opção. Além disso, a conturbada situação da Grécia, o colapso do aliado governo holandês e uma derrota em casa representam reveses que podem abalar a liderança de Merkel na Europa
Foto: AFP