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Cameron promete referendo sobre saída da UE até final de 2017

23 jan 2013
06h34
atualizado às 17h35
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O primeiro-ministro britânico, David Cameron, prometeu nesta quarta-feira em Londres organizar um referendo sobre a permanência do Reino Unido dentro da União Europeia antes do fim de 2017. Cameron disse que, se for reeleito nas eleições gerais previstas para 2015, renegociará o acordo entre seu país e o bloco dos 27.

Cameron discursa sobre Reino Unido e União Europeia: sem reformas, referendo até 2017
Cameron discursa sobre Reino Unido e União Europeia: sem reformas, referendo até 2017
Foto: AFP

"E quando tivermos negociado este novo acordo, daremos ao povo britânico um referendo com uma opção muito simples de dentro ou fora", acrescentou em seu muito adiado discurso sobre a Europa, esperado desde o último verão no hemisfério norte. O chefe do governo britânico informou que este referendo deve ser realizado na primeira metade da legislatura (2015-2020), ou seja, antes do fim de 2017.

A nova relação do Reino Unido com a União Europeia (UE), seu primeiro sócio comercial, deve ter o mercado único como tema central, disse o primeiro-ministro conservador, sem fornecer elementos precisos sobre o novo acordo que deseja negociar com Bruxelas.

Cameron advertiu que, se a UE não responder aos desafios derivados da crise na Eurozona, a falta de competitividade e a crescente indiferença dos cidadãos, existe o risco de que o Reino Unido se dirija "à saída da UE". "Se não enfrentarmos estes desafios, o perigo é que a Europa fracasse e que os britânicos se dirijam à saída", advertiu o líder conservador.

No entanto, afirmou que era partidário de que seu país permaneça dentro da UE. "Não sou um isolacionista", afirmou em direção aos dirigentes europeus reticentes ou inclusive hostis à renegociação do acordo. "Não só quero um melhor acordo para o Reino Unido, mas quero também um melhor acordo para a Europa", afirmou.

A declaração foi vista com preocupação pela França. Falando a jornalistas pouco depois em Paris, o ministro das Relações Exterior, Laurent Fabius, alertou para os perigos que a eventual saída do Reino Unido da União Europeia para ambas as partes e criticou a postura de, na sua visão, construir um bloco "à la carte".

"Suponhamos que a Europa fosse um clube de futebol: quando você adere ao clube, não pode dizer, uma vez dentro, que vai jogar rugby. (...) Não se pode fazer uma Europa à la carte", disse. Este projeto "pode ser perigoso para a própria Grã-Bretanha, porque a Grã-Bretanha fora da Europa (terá uma situação) difícil", acrescentou.

A Alemanha reagiu ao discurso de Cameron e afirmou que desejar que a Grã-Bretanha continue sendo um membro ativo e construtivo da União Europeia, declarou nesta quarta-feira o ministro das Relações Exteriores alemão, Guido Westerwelle.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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