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Rússia: veredicto de magnata do petróleo foi imposto ao juiz

14 fev 2011
10h30
atualizado às 10h52

O veredicto que prolongou em dezembro até 2017 a pena do magnata do petróleo Mikhail Khodorkovski foi imposto ao juiz do tribunal moscovita responsável pelo caso, afirmou nesta segunda-feira uma funcionária do Judiciário que denunciou aquilo que chamou de "trama política".

Natalia Vassilieva, uma assistente do juiz Viktor Danilkin que também atuou como porta-voz do tribunal durante o julgamento, fez a declaração em uma entrevista ao jornal virtual liberal Gazeta.ru e ao canal privado Dojd.

"Desde o princípio, antes mesmo de Danilkine ler a sentença, o controle era permanente", disse a funcionária. "Danilkine começou a redigir o veredicto. Suspeito que o que estava nesta sentença não era satisfatório para as instâncias superiores. E recebeu um veredicto diferente que teve que anunciar", completou.

"Quando as coisas não iam no sentido desejado, o juiz devia informar o Tribunal Central de Moscou e recebia instruções sobre a atitude que devia adotar". "Tais casos políticos estão orientados desde o início a uma conclusão concreta", destacou.

O tribunal de Moscou denunciou uma "provocação" e negou qualquer pressão. Em 20 de dezembro, as penas de prisão de Khodorkovski, ex-presidente do grupo petroleiro Yukos, e de seu principal sócio, Platon Lebedev, presos desde 2003 e condenados em 2005 a oito anos de detenção por fraude e evasão fiscal, foram prolongadas até 2017 por roubo de petróleo e lavagem de dinheiro.

O segundo julgamento foi denunciado por diversos analistas como a continuidade de um ajuste de contas com um homem que enfrentou o Kremlin e financiava a oposição.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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