atualizado às 14h47

Rússia deve abandonar sonho de ser potência militar, diz analista

 

A Rússia deve renunciar ao sonho de ser uma grande potência militar para garantir a estabilidade orçamentária e as reservas públicas em tempos de crise econômica, declarou nesta quinta-feira o diretor de pesquisas macroeconômicas da Escola Superior de Economia russa, Sergey Alexashenko.

"A única reserva possível para o orçamento russo é uma drástica redução da despesa militar, a desmilitarização da consciência social e a rejeição do imaginário público segundo o qual a Rússia é uma grande potência nessa área", indicou o cientista da mais consagrada faculdade de economia do país.

Entrevistado pela agência Interfax, Alexashenko lembrou que a ex-superpotência militar, quando ainda se chamava União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, ocupa atualmente entre o sexto e o oitavo posto do mundo de Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com diversos analistas.

"Por que temos de competir com quem ocupa o primeiro lugar (EUA) e cujo PIB é dez vezes superior ao nosso? Como podemos sequer imaginar que nosso potencial militar possa ser comparado com o desse país? Por que a China, o Reino Unido e a França não fazem isso?", se perguntou o especialista. Alexashenko criticou a decisão do governo russo de elevar a despesa militar para em torno de 3% a 4 % do PIB.

A essa mesma conclusão chegaram os analistas governamentais que supervisionam a estratégia de desenvolvimento da Rússia até 2020, que em seu relatório final publicado em dezembro aconselharam o Kremlin a reduzir as gastos militares.

"O cumprimento das ordens do presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, de rearmar o Exército em dez anos com US$ 322,5 bilhões no câmbio atual aumenta as despesas em defesa em até 5,5% do PIB. Em 2010 essa verba era de 2,8%", destacou o documento.

Neste mês de janeiro, os salários e as pensões que os militares aumentaram mais de 50%.

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