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30 de dezembro de 2012 • 17h17

Rival de Merkel reclama que salário de chanceler é baixo

 

Uma declaração do principal candidato da oposição ao cargo de chanceler, Peer Steinbrück, causou controvérsia e dificulta a campanha dos social-democratas para as eleições parlamentares alemãs de 2013, já enfraquecida por recentes críticas aos altos rendimentos paralelos do ex-ministro da Finanças.

Em entrevista ao jornal Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung, o social-democrata reclamou do salário pago ao cargo de chefe de governo da Alemanha, comentando que a chanceler Merkel ganha menos que a "maioria dos diretores de bancos" regionais do país. "Considerando o serviço prestado, o salário mensal não é apropriado", acusou.

A reclamação de Steinbrück provocou críticas até de representantes de sua agremiação, o Partido Social-Democrata (SPD). O ex-chanceler Gerhard Schröder disse, em entrevista ao jornal Bild am Sonntag, que considera os políticos alemães "adequadamente remunerados", acrescentando que "sempre conseguiu viver" com o que ganhou. "Quem acha que pagamento de político é baixo demais, deve procurar outra profissão", alfinetou o ex-líder social-democrata.

O deputado Dieter Wiefelspütz, também do SPD, classificou como um "erro" políticos se orientarem pelos salários da iniciativa privada, se referindo à comparação de Steinbrück entre o salário de Merkel e os honorários de banqueiros.

Rendimentos paralelos
O comentário de Steinbrück provoca irritação dentro do SPD, por fornecer mais munição aos adversários políticos, às vésperas do ano eleitoral de 2013. Há semanas, o candidato social-democrata a chanceler vem sendo alvo de críticas por ter recebido quantias consideradas altas em atividades paralelas à carreira política. No período de três anos, ele embolsou, além de seu salário de deputado, cerca de 1,2 milhão de euros como remuneração por palestras dadas em empresas e organizações.

Atualmente, a chanceler alemã recebe mensalmente 16.085,91 euros. Após um aumento aprovado em maio pelo Parlamento, os salários de janeiro, março e agosto serão aumentados paulatinamente até a quantia atingir pouco mais de 17 mil euros. Além disso, Merkel recebe um salário de cerca de 4 mil euros, como integrante do Parlamento.

Integrante do partido de Merkel, o deputado Michael Grosse-Brömer, da União Democrata Cristã (CDU), disse que também considera o salário da chefe de governo "muito baixo" em relação à responsabilidade do posto, mas observou que "nunca soube de reclamações vindas da própria chanceler".

A líder do partido A Esquerda Katja Kipping criticou duramente Steinbrück. "Quem pensa seriamente que um chanceler deve ganhar sete vezes o salário médio (do país), não serve para exercer o cargo", acusou, acrescentando que tais comentários "são um acinte aos eleitores e os afastam das urnas".

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