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Visita do Papa a comunidade de Manguinhos é uma bênção para moradores

16 jul 2013
15h37

Varginha é uma pequena favela ignorada da chamada "Faixa de Gaza" carioca. O papa Francisco vai visitá-la e seus moradores, tanto católicos como evangélicos, esperam por ele com muita alegria.

"Aqui ninguém lembrava da gente, sofremos muito. O Papa é um homem santo e isso vai nos ajudar. Precisamos de mais projetos para as crianças", comenta à AFP Sônia Curato, uma manicure católica de 47 anos.

Sua pequena casa com paredes sem pintura está localizada na entrada da favela, junto à pequena igreja São Jerônimo Emiliani (62 lugares), onde o Papa vai abençoar o novo altar, no dia 25 de julho, antes de pronunciar um discurso ante os cerca de 30.000 fieis no campo de futebol vizinho.

A rua principal está de aparência nova depois de ter sido enfeitada para a ocasião.

Situada na "Faixa de Gaza" do Rio, assim chamada por causa da quantidade de confrontos armados violentos que ocorriam com frequência entre policiais e traficantes, Varginha é uma das favelas pacificadas há sete meses pela polícia. Mas, segundo os habitantes, na área ainda há muitos traficantes de drogas, apesar de estes agirem mais discretamente.

O Rio de Janeiro mantém desde 2008 uma corrida contra o relógio para pacificar os bairros pobres da cidade controlados por traficantes e milícias paramilitares antes da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.

No geral, as favelas que atraem os visitantes internacionais, como atletas profissionais, políticos e atores, estão situadas em morros que dominam os bairros mais ricos, com uma linda vista para o mar. O papa João Paulo II visitou em 1980 a favela de Vidigal.

O padre Márcio Queiroz, pároco de Varginha, considera que a escolha desta comunidade corresponde à imagem do novo chefe da Igreja católica: "Talvez ele se sinta muito identificado com esta favela. Uma pequena comunidade pobre", explica.

"Francisco percorrerá a pé os 200 metros entre a igreja e o campo de futebol. No trajeto, vai parar na casa de oito moradores, como um padre que visita seus filhos", explica Everaldo Oliveira, 42 anos, do comitê de recepção do Papa na comunidade.

Nesta favela com cerca de mil moradores vive mais ou menos a mesma quantidade de católicos e evangélicos, segundo Everaldo. No entanto, há apenas uma igreja e uma pequena capela católica, a de São Sebastião, que ainda não foi concluída, contra quatro templos neopentecostais.

Como várias favelas, Varginha registrou nos últimos anos um forte crescimento de igrejas evangélicas. Para o Vaticano, a visita do Papa a esta comunidade é uma oportunidade de mostrar que o terreno não foi abandonado.

De fato, os evangélicos abrirão as portas de seus templos e de suas casas ao pontífice.

"Ele é diferente, se mostra mais humilde em relação aos pobres. Jesus Cristo veio à Terra para isso", assegura Rogério, um pastor da Assembleia de Deus que se ocupa dos dependentes de crack na região.

Índio é um mecânico de 68 anos e, enquanto examina o motor de um carro, explica que virou evangélico "por necessidade, ou seja, para deixar o alcoolismo".

"Estou muito contente em receber o papa em minha casa. Isso vai ter repercussões boas por aqui, oportunidades que a gente não teria antes", destaca, esperançoso.

A maioria dos católicos sonha em poder se aproximar do Papa e receber sua bênção. Não é diferente em Varginha.

"Vou tentar me aproximar dele. Vou pedir que abençoe os brasileiros, que peça paz para todos nós porque ainda existe muita violência, e também mais fé no coração das pessoas", afirma Ana de Souza, 76 anos, devota de São Sebastião.

Antônio de Sá, 68, dono de uma lanchonete diante da igreja, lamenta ter sido proibido de abrir seu comércio no dia da visita papal.

"Seria um bom dia para ganhar dinheiro", queixa-se o católico que batizou sua loja de "Relíquia de Varginha".

Por que este nome? "A relíquia sou eu! Sou um dos moradores mais velhos daqui!", explica, orgulhoso.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 

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