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Prelado detido em investigação sobre o banco do Vaticano

28 jun 2013
14h13
atualizado às 14h16

Um prelado, um membro dos serviços secretos italianos e um intermediário financeiro foram detidos nesta sexta-feira como parte de uma investigação da justiça italiana sobre o Instituto para as Obras de Religião (IOR), o banco do Vaticano.

Nunzio Scarano, um padre nomeado "monsenhor", título de honra concedido apenas por seu tempo na Santa Sé, teve "um papel relevante" na Administração do Patrimônio da Sede Apostólica (APSA), organismo que administra os bens da Santa Sé, onde era contador.

Também foram detidos Giovanni Zito, sub-oficial e membro do Serviço de Informação e Segurança do Ministério do Exterior, e Giovanni Carenzio, um intermediário financeiro que atuava internacionalmente, principalmente nas Ilhas Canárias e na Suíça.

Os três foram detidos pela polícia financeira após uma ordem da Promotoria de Roma, acusados de "fraude contra o Estado, corrupção e calúnia".

O monsenhor Scarano também está sendo investigado pela justiça de Salerno por lavagem de dinheiro, segundo o jornal La Repubblica.

A imprensa italiana informou que a investigação que terminou com a detenção das três pessoas está concentrada na recuperação por parte da Itália de 20 milhões de euros desviados para a Suíça.

A quantia pertenceria a amigos de Scarano e o funcionário do serviço de inteligência italiano detido teria se comprometido a fazer o dinheiro entrar na Itália em um avião privado, em troca de uma recompensa de 400.000 euros.

Contudo, devido a divergências entre os três o plano acabou não sendo concluído.

A justiça investiga qual é a origem do dinheiro e as propriedades em nome do prelado, que tinha "relações financeiras" com o IOR, alvo de inúmeras investigações há anos.

Nos últimos anos, o Vaticano tentou reforçar os mecanismos de controle do IOR. Na quarta-feira, o papa Francisco criou uma comissão especial para controlar as atividades do IOR, que será diretamente subordinada ao pontífice.

O padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, informou que o prelado havia sido suspenso da APSA há um mês, quando seus superiores souberam que estava sendo investigado".

As detenções ocorreram como parte de uma ampla investigação iniciada pela justiça italiana em setembro de 2010 contra o então presidente do IOR Ettore Gotti Tedeschi e o diretor geral da época Paolo Cipriani. Os dois são acusados de violação da lei contra a lavagem de dinheiro.

Dezenas de milhões de euros foram bloqueados na investigação, que provocou, entre outras medidas, a destituição da direção do IOR.

Ao longo dos anos, diversos escândalos mancharam a reputação do IOR, já que grupos criminosos aproveitaram o anonimato ou testas-de-ferro para lavar dinheiro.

O escândalo mais conhecido aconteceu em 1982 com a falência do Banco Ambrosiano, em um caso bancário envolvendo a CIA e a maçonaria. O caso Enimont (1993) de subornos a partidos políticos italianos também afetou o IOR e, mais recentemente, a justiça de Roma detectou caos de lavagem de dinheiro por mafiosos.

O suíço René Brülhart, conselheiro da Autoridade de Informação Financeira (AIF), que supervisiona o IOR, indicou que em 2012 seis transações suspeitas foram detectadas.

O banco do Vaticano administra 19.000 contas pertencentes, em sua maioria, ao clero católico, o que representa quase sete bilhões de euros, que incluem tanto pessoas de menor hierarquia, como bispos, cardeais e alguns diplomatas, assim como as transferências de dinheiro das congregações religiosas.

O novo presidente do IOR, o alemão Ernst von Freyberg, nomeado poucos dias antes da renúncia do papa Bento XVI, pretende verificar todas as contas do banco por meio da firma de consultoria americana Promontory.

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