Papa Francisco

publicidade
11 de março de 2013 • 12h49

O filipino Tagle, um 'papabile' jovem que pede humildade à Igreja

O cardeal filipino Luis Antonio Tagle, de 55 anos, o mais jovem dos cardeais cotados para suceder Bento XVI, é considerado um progressista por sua pregação por uma Igreja humilde, em um país de grande fervor religioso e de muita pobreza.

Especialista do Concílio Vaticano II e teólogo brilhante formado nas Filipinas e nos Estados Unidos, Luis Antonio "Chito" Tagle tem trinta anos a menos que Bento XVI, o Papa que renunciou aos 85 anos por falta de forças.

A juventude pode ser uma qualidade fundamental para se converter no novo chefe da Igreja católica, que tem entre seus objetivos conquistar novos fiéis e se adaptar às mudanças da sociedade.

O cardeal Tagle, um homem afável que se considera principalmente um pastor, tem ao seu favor sua grande cultura doutrinal e sua mente aberta, dois fatores que podem ajudá-lo a alcançar o delicado equilíbrio entre ortodoxia e pragmatismo.

Tangle é considerado um progressista, embora o conservador Bento XVI apreciasse "o equilíbrio de sua visão e o respeito da doutrina", segundo o vaticanista Sandro Magister.

A uma pergunta sobre suas ambições pontifícias, Tagle respondeu: "As pessoas querem estar conectadas, é o fundamento da fé, estar conectadas com Deus, estar conectadas com os demais, com a Igreja. Temos que voltar a este princípio fundamental".

Mas sua juventude também pode ser o ponto fraco de Tagle, que não foi nomeado arcebispo de Manila e primaz das Filipinas até 2011.

Luis Antonio Tagle nasceu no dia 21 de junho de 1957 em Imus, perto de Manila, em uma família modesta, e passou por várias escolas católicas da capital antes de estudar filosofia e teologia.

Em 1991, obteve o grau "Cum Laude" por seu doutorado em teologia na Catholic University of America (CUA), de Washington.

"Sempre foi o primeiro da classe", lembra o sacerdote Romeo Ner, de 72 anos, um de seus mentores, que destaca sua inteligência, sua disciplina e sua vocação religiosa que mostrou desde pequeno.

"Surpreendeu-me muito porque sabia rezar o rosário e os mistérios com apenas três anos", contou o religioso à AFP.

Convertido em jovem sacerdote, Tagle foi muito ativo na defesa das paróquias mais pobres e nesta época se viciou nos pés de galinha, uma comida muito popular nos bairros mais miseráveis das Filipinas.

"Quando o proclamaram cardeal, perguntei a ele se estava consciente de ter se convertido no representante máximo da Igreja" de um país de 80 milhões de católicos, lembra Ner, vigário-geral da cidade natal de Tagle.

"E simplesmente respondeu: 'Sim', mas não tive a impressão de que estivesse especialmente impressionado. É alguém muito humilde que foge das atenções", explica seu mentor.

Uma ideia reafirmada pelo próprio Tagle, co-autor da mensagem final do sínodo sobre a evangelização, celebrado em Roma em outubro de 2012, que afirmava que "a Igreja tem que aprender sua humildade em Jesus Cristo".

"Você pode estar dizendo as coisas certas, mas as pessoas não ouvirão se o modo como você se comunicar lembrar a elas uma instituição triunfalista e pretensiosa", afirma o cardeal.

Nas Filipinas, Tagle é conhecido por sua simplicidade e sua empatia com os mais pobres. Quase nunca utiliza seu carro oficial, fala com os paroquianos após a missa e convida com frequência os mendigos a sua mesa.

AFP