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Especialista: Bento XVI pode responder na Justiça por crimes da Igreja

12 fev 2013
04h29
atualizado às 04h34
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Autor do livro O Papa é o Culpado?, que discute supostos crimes cometidos pelo Vaticano, o jornalista britânico Geoffrey Robertson, especialista em temas relacionados ao catolicismo, acredita que, ao renunciar ao pontificado, Joseph Ratzinger poderá responder na Justiça por abusos que a Igreja Católica teria cometido durante sua gestão.

Bento XVI reza missa em Aparecida (SP) durante sua única visita ao Brasil, em 13 de maio de 2007
Bento XVI reza missa em Aparecida (SP) durante sua única visita ao Brasil, em 13 de maio de 2007
Foto: AFP

"Como um chefe de Estado - o que, na prática, é o Vaticano - o papa Bento XVI tem imunidade. Mas isso mudará após sua renúncia. Muitas vítimas molestadas por padres protegidos pelo Cardeal Ratzinger gostariam de processá-lo pelos estragos de sua negligência. Ao sair do Vaticano, um tribunal cuidará desses casos", escreveu Robertson em artigo publicado no jornal The Independent

O texto, entitulado "O Papa pode renunciar, mas não apagará sua cumplicidade com os crimes da Igreja", aponta que  Ratzinger teria responsabilidade em "crimes contra a humanidade" desde 1981, quando passou a comandar a Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), órgão do Vaticano que fiscaliza a conduta dos padres. De acordo com o jornalista, embora os arquivos daquele tempo sejam sigilosos, cartas do alemão surgiram em vários processos judiciais nos Estados Unidos, sempre defendendo padres pedófilos e estupradores. 

 "Não há como negar o fato de que o sistema mundial de encobrir casos de crimes sexuais cometidos por clérigos foi arquitetado pela CDF sob Cardeal Ratzinger", disse o teólogo suíço Hans Kung, em carta aberta divulgada em 2010, mencionada no artigo de Robertson.

O texto denuncia como pior caso o do padre americano Maciel, descrito como bígamo, pedófilo e viciado em drogas, que teria tido seus crimes encobertos por se tornar um amigo próximo do então papa João Paulo II. Ratzinger teria em suas mãos provas contundentes na época, mas as omitiu. Quando se tornou Papa, ele teria toda a autoridade para puni-lo, mas preferiu sugerir apenas que Maciel se aposentasse. 

Entre outros ataques, o jornalista britânico classifica o papa Bento XVI como "inimigo dos direitos humanos" por "trinta anos de 'vistas grossas' a violações contra milhares de crianças". Para ele, a renúncia apenas seria positiva se assumida como uma compensação por seus crimes. 

Fonte: Terra
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