Papa Francisco

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05 de março de 2013 • 17h22 • atualizado em 09 de Setembro de 2013 às 14h05

Diretor do jornal do Vaticano: escândalos não influenciaram renúncia

Em conversa com jornalistas no Vaticano, Gian Maria Vian disse que Bento XVI retardou sua decisão em renunciar para concluir as investigações

  • Direto do Vaticano
    Edição: Moreno Osório
 


Para o diretor do jornal vaticano L'Osservatore Romano, Gian Maria Vian, os escândalos sexuais envolvendo a Igreja e o vazamento de documentos não foram os responsáveis pela renúncia de Bento XVI. Muito pelo contrário. Em conversa com jornalistas da imprensa estrangeira na sede da Stampa Estera, em Roma, na tarde desta terça-feira, ele disse que o Papa retardou sua saída para que fossem concluídas as investigações. 

Gian Maria Vian, diretor do L'Osservatore Romano, conversa com jornalistas no Vaticano
Foto: Rafael Belincanta / Especial para Terra

Há cinco anos e meio a frente do jornal vaticano, nomeado por Bento XVI, Vian viverá pela primeira vez um Conclave no centro dos acontecimentos. “Estou muito contente em viver essa situação sem a morte de um papa. Se assim fosse, seria muito triste”, disse Vian ao afirmar ainda que a renúncia do Papa reiterou que “o verdadeiro chefe da Igreja é Cristo”.

Perguntado sobre a necessidade de uma reforma da Cúria Romana, Vian lembrou que Joseph Ratzinger passou mais de 30 anos entre os corredores dos altos dicastérios vaticanos, primeiro como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e, mais tarde, como cardeal.

“Bento XVI seguiu a linha de Paulo VI de simplificar a Cúria Romana com um reforma radical na base sem promover mudanças na estrutura, mudando todos os chefes dos dicastérios [os conhecidos prefeitos das congregações que tem status de ministros de Estado] com exceção aos da Educação Católica e dos Leigos”, afirmou.

Com uma metáfora, o diretor do L'Osservatore Romano respondeu aos jornalistas quando questionado sobre a quantidade de italianos na Cúria e a possibilidade de que mais sacerdotes internacionais ocupassem os cargos de primeiro escalão: “o adjetivo estrangeiro na Santa Sé não tem nacionalidade uma vez que a Santa Sé é supranacional”, rebateu Vian.

"Jornal Particular"
L'Osservatore Romano não é para ser lido no ônibus ou durante um café. O formato standard da edição diária em italiano concede robustez ao jornal, apesar das contadas oito páginas.

Capa da versão em português do jornal 'L'Osservatore Romano'
Foto: Reprodução

Ao Terra, Vian afirmou que L'Osservatore Romano “não é um jornal popular mas que está procurando adequar-se às novas tendências dos jornais tradicionais”. Como exemplo, Vian citou que a partir da disponibilização de conteúdo gratuito na rede (www.osservatoreromano.va), o número de leitores do jornal cresceu.

Denúncias contra a Igreja
Vian afirmou que as denúncias de pedofilia e, mais recentemente, o caso de vazamento de documentos secretos, não influenciaram na decisão do Papa. “Na verdade, isso tudo retardou a decisão do Papa de renunciar, ele queria chegar ao final do que havia começado a investigar por meio das comissões cardinalícias antes de afirmar ao mundo que já não tinha mais forças para exercer o papado”. 

Conclave e acordos
“Existe muito mais confiança nos meios de comunicação hoje em dia”, afirmou Vian, para quem o papel das mídias sociais na cobertura do Conclave será muito importante. Sobre os cardeais entrarem em um possível acordo para eleger um papa não italiano, entretanto com a nomeação de um Secretário de Estado italiano, Vian disse que é possível.

 

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Terra