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Conheça 10 fatos sobre a vida de Bento XVI na aposentadoria

28 fev 2013
06h37
atualizado às 07h59
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Dezenas de milhares de pessoas são aguardadas nesta quinta-feira na Praça de São Pedro, no Vaticano, para acompanhar os últimos compromissos do papa Bento XVI antes de efetivar sua renúncia, a primeira de um sumo pontífice em mais de 600 anos. Com o abandono do cargo, a vida de Bento XVI passará por mudanças importantes. Conheça dez delas:

<p>Imagem mostra o mosteiro Mater Ecclesiae, localizado dentro dos muros do Vaticano, onde o Papa em&eacute;rito morar&aacute; no futuro</p>
Imagem mostra o mosteiro Mater Ecclesiae, localizado dentro dos muros do Vaticano, onde o Papa emérito morará no futuro
Foto: AP

1. Nome e título
A partir de sexta-feira, Bento XVI será conhecido como Papa emérito ou Bispo emérito de Roma. O pontífice, entretanto, continuará sendo chamado por seu título papal, Bento XVI, em vez de voltar ao seu nome de nascimento, Joseph Ratzinger, além de manter a alcunha de "Sua Santidade Bento XVI". Tratamento semelhante é dado a ex-presidentes dos Estados Unidos, por exemplo. Estes continuam sendo chamados de presidentes mesmo depois de deixar a Casa Branca.

"Emérito" significa "aposentado" em latim, a língua oficial da Igreja Católica, e advém do verbo emereri, ou seja, alguém que deixa de oferecer seus préstimos.

2. Nova casa
Bento XVI deixará o Vaticano em um helicóptero antes de que sua renúncia seja efetivada, às 20h (16h de Brasília) desta quinta-feira. Ele partirá rumo à residência papal de Castel Gandolfo, ao sul de Roma, onde deve permanecer por três meses.

Ao fim desse período, o então ex-pontífice voltará ao Vaticano e passará a viver em um antigo convento conhecido como Mater Ecclesiae, localizado no extremo sudoeste do Vaticano. Notícias veiculadas pela imprensa italiana indicam que os jardineiros do futuro local de residência de Bento XVI continuarão cultivando, em um quintal de 500 metros quadrados, frutas e vegetais orgânicos que servem ao papa, em especial uma marmelada de laranja.

3. Vestuário
O Papa emérito continuará se vestindo de branco, em vez do negro sacerdotal ou do vermelho cardinalício. No entanto, a roupa será restrita a uma batina simples, sem os chapéus elaborados (como o solidéu, que se assemelha ao quipá usado pelos judeus) e outras peças que compuseram sua imagem durante seu papado (e que levaram o jornal The Wall Street Journal a questionar, por exemplo, se o pontífice vestia-se com a grife italiana Prada).

Bento XVI também abdicará de seus sapatos vermelhos por outros de tonalidade marrom e feito à mão por um sapateiro no México durante sua mais recente visita ao país latino-americano, ocorrida no ano passado.

4. Anel
O anel de ouro papal, conhecido como o Anel do Pescador e que simboliza o sucessor de Pedro, apóstolo de Jesus Cristo e considerado o primeiro papa da Igreja Católica, será destruído com um martelo de prata especial tão logo Bento XVI deixe o cargo. "Os objetos estritamente ligados ao ministério de São Pedro devem ser destruídos", indica o Vaticano. Seu selo pessoal também será descontinuado.

5. Responsabilidades
Bento XVI não terá mais responsabilidades administrativas ou oficiais. Também não participará do conclave que escolherá seu sucessor. No entanto, sua influência deve ser sentida, uma vez que foi ele quem indicou 67 dos atuais 115 cardeais que participarão da eleição. Muitos deles vêm lendo os discursos dados por Bento XVI antes de sua aposentadoria para tratar de identificar elementos-chaves sobre quais qualidades ele acredita que seu sucessor deve ter.

6. Vida no confinamento
Ao anunciar sua renúncia, o Papa afirmou que dedicará seu tempo a orar pela Igreja. Em entrevista à imprensa, seu irmão mais velho, Georg Ratzinger, disse que Bento XVI demonstrou o interesse de assessorar seu sucessor se for solicitado. O pontífice indicou que se dedicará a ler e a escrever.

Teólogo conceituado, Bento XVI tinha uma biblioteca de 200 mil livros localizada em um dos aposentos papais no momento em que foi eleito em 2005. O atual papa também gosta de tocar piano e ver filmes de comédia em preto e branco, além de ser apaixonado por gatos. Sabe-se que possui pelo menos uma, apelidada de Contessina (condessa, em italiano), que vive em Mater Ecclesiae.

7. Redes sociais
A conta do Twitter do Papa, @pontifex e suas versões em oito diferentes idiomas, serão desativadas quando Bento XVI deixar de ser papa. Desde que inaugurou as contas, no final do ano passado, o pontífice somou 2,5 milhões de seguidores. Não é sabido, por enquanto, se Bento XVI levará consigo o iPad papal. Durante o interregnum, o período entre dois papados, o Vaticano fará atualizações que serão distribuídas pela conta do atual secretário de Estado, Tarcisio Bertone (@Terzaloggia).

8. Proteção "dourada"
Ainda que seus planos de aposentadoria possam parecer modestos para um ex-pontífice, Bento XVI, enquanto arcebispo, manterá seu generoso seguro-saúde pago pelo Vaticano e possivelmente terá acesso aos mesmos médicos que o tratavam no cargo. O Papa emérito será cuidado por um pequeno grupo de freiras alemãs que o atendem desde que foi nomeado chefe da Igreja Católica.

Como o último papa renunciou há mais de 600 anos, não há precedente sobre um plano de pensão papal, mas as leis canônicas requerem que cada diocese ampare seus clérigos aposentados. Como Bento XVI será Papa emérito, Roma provavelmente cuidará que não lhe falte nada.

9. Secretário pessoal
O secretário pessoal de Bento XVI, o fotogênico arcebispo alemão Georg Gänswein, que aparece atrás do pontífice em fotos, não se dedicará exclusivamente ao Papa emérito. Ele não só cuidará dele, como também de seu sucessor.

10. Infalibilidade
Há uma falsa ideia amplamente difundida sobre a infalibilidade do papa sobre o que diz ou faz. De fato, o Concílio do Vaticano de 1870 determinou que as decisões do papa são infalíveis (ou seja, estão sempre corretas) somente quando são feitas ex cathedra, como parte de uma declaração doutrinal sobre a Igreja. Bento XVI nunca invocou tal privilégio (e, na prática, apenas uma declaração dessas foi emitida desde 1870). Quando renunciar, o Papa não poderá mais emitir qualquer declaração ex cathedra.

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