2 eventos ao vivo

Cardeal britânico suspeito de conduta inapropriada renuncia

25 fev 2013
14h40
atualizado às 14h45

O cardeal Keith O'Brien, chefe da Igreja Católica da Escócia, acusado de "conduta inapropriada" por vários religiosos, renunciou como arcebispo e por isso não participará do conclave que escolherá o próximo Papa, anunciou nesta segunda-feira um comunicado.

Keith O'Brien apresentou sua renúncia ao cargo de arcebispo de Saint Andrews e Edimburgo (Escócia), que deveria se tornar efetiva em março, quando completará a idade canônica, 75 anos.

No entanto, o papa Bento XVI, cujo pontificado termina na quinta-feira, "decidiu que a minha renúncia se tornaria efetiva hoje, dia 25 de fevereiro de 2013", anunciou Keith O'Brien, sem fornecer mais detalhes.

O cardeal também informou que não participará do conclave que designará o novo Papa.

"Não quero que a imprensa se concentre em mim em Roma, e sim no papa Bento XVI e em seu sucessor", explicou em um comunicado Keith O'Brien, o único eclesiástico da Grã-Bretanha que podia votar no conclave.

"Quanto aos meus anos de ministério, agradeço a Deus por tudo de bom que pude fazer. Por meus fracassos peço perdão a todos os que ofendi", acrescentou.

Sua renúncia, aceita pelo Papa em 18 de fevereiro, mas anunciada nesta segunda-feira, ocorre num momento crucial, quando o colégio cardinalício deve eleger um novo pontífice após o anúncio da renúncia de Bento XVI.

O cardeal britânico, conhecido por suas posições contra os homossexuais, é acusado de ter tido a partir dos anos 1980 comportamentos impróprios com três sacerdotes e um ex-padre, segundo a edição dominical do The Observer.

Um porta-voz de Keith O'Brien desmentiu as acusações, segundo o jornal. Mas a Santa Sé indicou no domingo que o Papa havia sido informado sobre o problema e que a questão estava em suas mãos.

Os quatro denunciantes, todos da diocese de Saint Andrews e Edimburgo, repassaram os fatos ao núncio apostólico na Grã-Bretanha, Antonio Mennini, na semana anterior ao anúncio da renúncia de Bento XVI, dia 11 de fevereiro.

Um sacerdote disse ter sido vítima de um interesse especial por parte do cardeal após uma festa na qual houve muito álcool.

Outro deles afirma que O'Brien aproveitava as orações noturnas para fazer gestos inoportunos.

O religioso se destacou nos últimos tempos por suas declarações contra o casamento gay, que, segundo ele, "seria prejudicial para o bem-estar físico, mental e espiritual das partes".

No entanto, se pronunciou a favor do casamento dos sacerdotes, afirmando que para muitos deles ficava 'muito difícil cumprir a norma do celibato".

A renúncia de O'Brien também chega em meio às especulações sobre as razões da renúncia de Bento XVI, e com uma polêmica sobre a participação de certos cardeais no conclave.

Associações de vítimas de abusos pedófilos estão fazendo campanha para os cardeais Roger Mahony (Los Angeles), Sean Brady (Irlanda) e Godfried Daneels (Bélgica) não viajem a Roma, acusando-os de terem encoberto crimes sexuais de religiosos de suas respectivas dioceses.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
publicidade