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Cardeais se reúnem com Papa para falar sobre a família

19 fev 2014
17h11

Cerca de 180 cardeais, entre eles o arcebispo do Rio de Janeiro Dom Orani Tempesta, foram convidados pelo Papa Francisco para participar nesta quinta e na sexta-feira de uma assembleia extraordinária sobre a evolução e os desafios da família contemporânea, no Vaticano.

Este primeiro Consistório convocado pelo papa argentino será realizado na sala do Sínodo e vai ser iniciada com uma oração e uma saudação do decano dos cardeais, o italiano Angelo Sodano, ex-secretário de Estado de João Paulo II.

Após a oração inicial, o presidente emérito do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, o cardeal alemão Walter Kasper, teólogo conhecido por suas posições progressistas em relação aos divorciados que se casam novamente, fará um discurso introdutório sobre o assunto a ser discutido.

Em novembro passado, Francisco lançou uma consulta mundial sobre a evolução da família moderna, por meio de um questionário enviado aos bispos de todo o mundo com temas tabus, como o casamento homossexual e o divórcio, em preparação para este encontro.

Com as respostas recebidas, o Vaticano elabora um documento que pretende refletir as várias visões dos cristãos e será amplamente debatido durante o sínodo, a assembleia dos bispos, a ser realizada em outubro de 2014, uma instância mais ampla e aberta.

A posição dentro da Igreja Católica daqueles que não cumprem suas "regras", como os que convivem sem se casar ou os divorciados que voltam a contrair o matrimônio, é um dos assuntos que preocupa a nova hierarquia da Igreja.

O tema será abordado nos próximos dias de forma "desordenada" e livre, segundo explicou o porta-voz do Papa, padre Federico Lombardi.

O Papa Francisco e o conselho de cardeais que o assessora, o chamado 'G-8', discutiram durante esta semana a delicada situação do Banco do Vaticano, abalado nos últimos anos por escândalos de corrupção, lavagem de dinheiro e por intrigas.

Um relatório com várias propostas sobre as estruturas financeiras e o futuro do Instituto para as Obras de Religião (IOR) foi entregue ao Papa pelos cardeais.

"Cabe ao Santo Padre seguir ou modificar essas propostas, mas o conselho cumpriu sua tarefa", declarou Lombardi durante uma coletiva de imprensa.

Segundo o porta-voz, o grupo deverá se reunir novamente entre os dias 28 e 30 de abril, depois da canonização de João Paulo II e João XIII, e entre os dias 1º e 4 de julho.

Em uma entrevista a um jornal francês, o cardeal hondurenho Oscar Rodríguez Maradiaga, coordenador do G-8, propôs a criação de um Ministério das Finanças no Vaticano, que seria responsável por regulamentar as diferentes estruturas econômicas.

Paralelamente ao Consistório, Francisco se prepara para entregar no sábado o barrete vermelho, o título de cardeal aos primeiros 19 novos cardeais de seu pontificado, dos quais 16 eleitores, ou seja, que podem escolher seu sucessor durante um conclave.

Francisco privilegiou a igreja da América Latina com a nomeação de seis cardeais oriundos de Brasil, Argentina, Chile, Haiti, Nicarágua e da ilha caribenha de Santa Lúcia.

Entre eles está o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta.

Com estas designações, o Papa modifica o equilíbrio do Colégio Cardinalício, órgão mais importante da Igreja, para torná-lo menos eurocêntrico.

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