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Putin acusa EUA de terem 'encurralado' Snowden na Rússia

15 jul 2013
14h46

O presidente russo, Vladimir Putin, acusou nesta segunda-feira os Estados Unidos de terem encurralado Edward Snowden na Rússia, e assegurou que o analista de inteligência americano deixará o país quando puder.

O jovem americano procurado pelos Estados Unidos "não tinha intenção de ficar aqui, estava em trânsito para outro país", declarou Putin em imagens divulgadas pela televisão russa.

Snowden, autor de revelações que causaram indignação a respeito do projeto de espionagem dos Estados Unidos em sistemas de comunicação de todo o mundo, está bloqueado no aeroporto Moscou-Sheremetievo, aonde chegou no dia 23 de junho, proveniente de Hong Kong.

"Quando sua presença a bordo do avião foi revelada, nossos sócios americanos bloquearam de fato o resto de sua viagem. Intimidaram todos os países que poderiam tê-lo recebido, ninguém quer mais recebê-lo. Ele (os americanos) o encurralaram em nosso território", prosseguiu Putin.

"Eles nos deram um belo presente de Natal", brincou.

Edward Snowden manifestou sua intenção de pedir asilo político à Rússia, a fim de viajar legalmente para a América Latina, onde Venezuela, Bolívia e Nicarágua estão prontos para recebê-lo.

"Se houver a possibilidade de ir para outro lugar, ele o fará sem dúvida alguma", declarou o presidente russo.

O americano já havia pedido há duas semanas o asilo político a cerca de vinte país, incluindo a Rússia. Mas ele dessitiu depois de Putin ter imposto como condição que o ex-consultor da CIA parasse com suas revelações sobre o programa de vigilância digital dos Estados Unidos.

"Nós dissemos: 'Temos relações com os Estados Unidos, não queremos que você prejudique estas relações. Ele disse não", ressaltou Putin.

"Ele disse: 'Quero manter minha atividade, vou lutar pelos direitos humanos' (...) Nós respondemos: 'Isso será feito sem nós, temos outros combates a travar", concluiu o presidente russo.

O diretor da agência federal russa de migração, Konstantin Romodanovsky, afirmou que Snowden ainda não solicitou asilo.

"O serviço de imigração não recebeu nenhum documento", afirmou uma funcionária, Zalina Kornilova.

"Se recebermos, estudaremos como deve ser", acrescentou.

Especialista em questões de asilo político, a militante russa dos direitos Humanos, Svetlana Gannuchkina, questionou esta situação.

"Parece-me estranho que ainda não há pedido oficial. Tudo isso começa a parecer pouco sério", declarou à agência Interfax.

A Rússia está em uma posição delicada em relação aos Estados Unidos. Moscou não deseja expulsar o ex-consultor, mas também não quer se indispor com Washington, acredita Fedor Lukianov, especialista em política externa russa.

"As autoridades russas (...) lamentam muito ele não ter viajado para Havana ou Caracas", escreveu ele nesta segunda-feira no jornal Kommersant.

Washington tem aumentado a pressão para que nenhum Estado receba o fugitivo e para que ele seja entregue aos Estados Unidos.

A Casa Branca advertiu na sexta-feira a Rússia para o risco de dar a Edward Snowden uma "plataforma de propaganda" ao permitir que fique no país.

O ex-consultor ainda tem informações que podem causar "muito mais dano" ao governo dos Estados Unidos, segundo o jornalista Glenn Greenwald, em entrevista ao jornal argentino La Nación.

"Snowden tem informações suficientes para causar muito mais dano em um minuto do que qualquer outra pessoa já teve na história dos Estados Unidos", afirmou Greenwald, correspondente do jornal britânico The Guardian no Brasil e que revelou as informações vazadas pelo ex-consultor da NSA.

Até o momento, a Rússia se mostrou segura de que não entregaria Snowden.

Mas, nesta segunda, o jornal russo Kommersant indicou que o Kremlin deseja trocar um casal de agentes secretos russos, recentemente condenados na Alemanha, por um agente que cumpre pena em Moscou.

Uma fonte do aeroporto Sheremetievo disse que Snowden ainda tem um quarto reservado em um hotel da zona de trânsito, mas que também tem acesso a um quarto de descanso especial para funcionários, segundo a agência Interfax.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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