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Protestos se reduzem na Turquia mas situação continua tensa

2 jun 2013
13h43
atualizado às 14h24

Os violentos protestos contra o governo turco, que se alastram por toda Turquia desde sexta-feira passada, foram diminuindo paulatinamente neste domingo, embora a situação continue sendo tensa, em particular em Ancara, onde voltaram a ocorrem choques entre a polícia e manifestantes.

A polícia turca voltou a reprimir nesta tarde com gás lacrimogêneo e canhões de água milhares de manifestantes que tentavam se aproximar da sede do governo turco em Ancara, segundo informaram à Agência Efe testemunhas presentes no local.

Enquanto as forças de segurança tentam impedir a chegada dos manifestantes à sede do governo, outras 10.000 pessoas permanecem de forma pacífica na praça Kizilay, em Ancara.

A força utilizada hoje pela polícia turca foi menor do que a aplicada ontem na capital, quando 30 estudantes ficaram feridos, alguns deles de gravidade.

Em Istambul a situação também parecia mais calma, com milhares de ativistas reunidos na praça Taksim e no parque Gezi, cuja demolição foi a causa da onda de protestos antigovernamentais.

A retirada da polícia ontem foi festejada por milhares de pessoas como uma "vitória", embora hoje o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, voltou a afirmar que não desistirá dos planos urbanísticos no centro de Istambul e acusou a oposição de ser responsável pelos protestos contra seu governo.

"Não podemos ficar olhando quando alguns agressores na praça Taksim provocam o povo", advertiu Erdogan em discurso que destoou muito da moderação e conciliação pedida ontem pelo presidente da Turquia, Abdullah Gul.

"Quem pagará pelas vitrines partidas? O que isto tem a ver com a democracia e a luta pelos direitos?", perguntou Erdogan. O primeiro-ministro disse ainda que não levava "a ditadura no sangue" e era um "servidor do povo".

Com suas palavras, Erdogan está longe de tranquilizar os manifestantes que passaram toda a noite no parque Gezi, reocupado após a retirada da polícia.

"Não sabemos o que pode se passar, mas está claro que se a polícia retornar, voltaremos a reagir, isto continuará pelo tempo que for necessário", disse à Agência Efe Melike, estudante que decidiu ir ao parque para ajudar na limpeza do local.

"Já não se trata do parque, mas de uma luta contra a atitude ditatorial do governo: cada vez que três ou quatro pessoas se manifestam por algo, mandam um blindado da polícia", reclamou.

A oposição também expressou seu mal-estar com o primeiro-ministro, cujas palavras foram qualificadas de "incendiárias".

O primeiro-ministro "jogou gasolina no fogo. Justamente quando o povo começa a se acalmar, suas declarações voltam a provocar raiva", disse à Efe Ilhan Cihaner, um influente deputado do opositor Partido Republicano do Povo (CHP).

Por enquanto, em Istambul várias ruas estratégicas seguem com barricadas, reforçadas e aperfeiçoadas pelos ativistas ontem à noite, após a retirada da polícia da praça Taksim e seus arredores.

Durante toda a manhã, centenas de voluntários de várias idades percorreram o parque e as ruas afetadas pelos enfrentamentos para retirar o lixo acumulado.

Durante à tarde, a praça de Taksim continuou como uma panela de pressão de pessoas decididas a manter a vigilância e a exigir maior democracia do governo.

Segundo dados oficiais, nos distúrbios dos últimos dias 79 pessoas ficaram feridas e 939 foram detidas, das quais a maioria já foi libertada. Fontes não oficiais, no entanto, asseguram que 1.500 pessoas precisaram de assistência médica.

Um site da oposição afirmou hoje que um manifestante, um homem de 26 anos, morreu por um disparo recebido ontem na cabeça, mas o caso não foi confirmado oficialmente.

Outro manifestante perdeu um olho e duas pessoas seguem desaparecidas.

EFE   
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