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Presidente italiano inicia negociação sobre nova coalizão

23 abr 2013
10h10
atualizado às 10h13

O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, iniciou discussões que podem levar à nomeação de um novo primeiro-ministro já na terça-feira, após dois meses de um impasse que afetou a estagnada economia e alarmou os parceiros de Roma na zona do euro.

Presidente italiano recém reeleito, Giorgio Napolitano, acena ao final de seu discurso na Câmara dos Deputados no Parlamento, em Roma. 22/04/2013
Presidente italiano recém reeleito, Giorgio Napolitano, acena ao final de seu discurso na Câmara dos Deputados no Parlamento, em Roma. 22/04/2013
Foto: Tony Gentile / Reuters

Após demonstrar irritação na segunda-feira diante do mesmo Parlamento que o elegeu para um inédito -e indesejado- segundo mandato consecutivo, Napolitano, de 87 anos, iniciou na terça-feira uma rápida rodada de consultas.

Os líderes partidários não foram convidados para as reuniões com os chefes dos grupos parlamentares da Câmara e do Senado. A perspectiva de que um novo governo seja formado rapidamente animou ainda mais os mercados financeiros. Os juros pagos nos títulos públicos com vencimento em dez anos caíram abaixo de 4 por cento, e o ágio desses papéis em relação aos papéis alemães que balizam o mercado diminuiu ainda mais.

Após ameaçar renunciar se os partidos continuassem com o que chamou de "irresponsabilidade" depois da inconclusiva eleição parlamentar de 24 e 25 de fevereiro, Napolitano parece determinado a forçar o ritmo, e pode designar até o final do dia um primeiro-ministro para comandar uma grande coalizão.

Um favorito para ser o novo premiê é Giuliano Amato, um veterano da centro-esquerda, que já foi primeiro-ministro em duas ocasiões, mas atualmente não é parlamentar.

Há também especulações de que o prefeito de Florença, Matteo Renzi, de 38 anos, visto como provável futuro líder do Partido Democrático (PD, centro-esquerda) poderia ser chamado a encabeçar o novo gabinete. Ele viajou a Roma na terça-feira.

O indicado, seja quem for, deverá forjar um gabinete pluripartidário para substituir o governo tecnocrata do premiê Mario Monti, nomeado no final de 2011 com a tarefa de debelar a crise financeira que consumia a Itália naquele período.

O PD formou a maior bancada parlamentar na eleição de fevereiro, mas não conseguiu maioria no Senado, e por isso precisaria forjar uma coalizão. O partido desde então rejeitou uma aliança com o bloco de centro-direita liderado pelo ex-premiê Silvio Berlusconi, e foi esnobado pelo partido alternativo Movimento 5-Estrelas, do comediante Beppe Grillo.

A manutenção do impasse poderia levar a uma nova eleição -algo que os líderes partidários parecem não desejar. Mas, mesmo com a solução antevista por Napolitano, um novo gabinete provavelmente não terá condições de estabilizar o país ou de aprovar reformas consideradas vitais para recuperar a competitividade econômica nacional.

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