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Parlamento europeu critica métodos "autoritários" dos EUA

2 jul 2013
07h58
atualizado às 08h44
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O presidente do Parlamento europeu, o alemão Martin Schulz, afirmou que compreende o pedido de asilo político do americano Edward Snowden e disse que os métodos de espionagem dos Estados Unidos são próprios de "regimes autoritários".

"Os métodos de espionagem conhecidos graças às revelações de Snowden são métodos que eram utilizados em outra época pela KGB", disse Schultz, em uma referência ao serviço secreto da ex-União Soviética.

"Snowden demonstra que os Estados Unidos tratam seus sócios próximos, a Alemanha por exemplo, mas também a a União Europeia em seu conjunto, como potências hostis", afirmou ao canal público alemão ARD. "É absolutamente inaceitável", completou o presidente do Parlamento europeu, que pertence ao Partido Social-Democrata alemão.

"Penso que Snowden é útil à opinião pública mundial, mostrando que vivemos em uma época na qual as democracias utilizam métodos que no passado eram usados por regimes autoritários", disse. "Se Snowden formular uma demanda, as autoridades devem examinar se efetivamente é objeto de uma perseguição política", completou Schulz, ao ser questionado sobre o pedido de asilo do americano a vários países.

Schultz não escondeu a decepção com o presidente americano Barack Obama. "A decepção a respeito de Barack Obama é profunda. Considerei este homem um renovador, acreditei que levaria a mais democracia, mais transparência na política americana. Evidentemente não é o caso", disse.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, também condenou nesta terça-feira a possível espionagem e disse que espera "lealdade" de seus aliados. "Sempre fomos leais com nossos aliados e o que esperamos deles é também essa lealdade", disse Barroso em um debate na Eurocâmara depois que o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, se mostrou igualmente "preocupado" com o assunto.

"Se estas notícias forem verdadeiras estaremos diante de uma situação muito preocupante, por isso que assim que tomamos conhecimento dessas informações pedimos explicações aos EUA", afirmou Barroso.

Já o presidente da França, François Hollande, pediu que a UE adote uma "posição comum" ante o caso. "É necessário que a Europa tenha uma posição coordenada, comum, em relação às exigências que vamos formular e às explicações que vamos pedir sobre as revelações de espionagem", afirmou o presidente francês no Palácio do Eliseu, ao lado do colega lituano Dalia Grybauskaite. Na segunda-feira, Hollande foi o primeiro líder europeu a exigir o "fim imediato" da suposta espionagem.

Com informações adicionais da agência EFE

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