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Polônia: padre polêmico por antissemitismo morre aos 74 anos

13 jul 2010
09h59
atualizado às 10h39

O padre Henryk Jankowski, que ficou conhecido como o "capelão da Solidariedade", e depois causou constrangimentos à Igreja por causa de suas posturas antissemitas e de seus hábitos ostentatórios, morreu aos 74 anos na cidade polonesa de Gdansk, segundo o prefeito local.

Jankowski esteve na linha de frente do sindicato Solidariedade, que sob o comando de Lech Walesa teve papel crucial na queda do regime comunista polonês, em 1989. Mas sua visibilidade excessiva e suas declarações polêmicas fizeram com que caísse em desgraça junto à hierarquia católica.

"É com pesar que preciso lhes informar que hoje às 20h05 o padre Henryk Jankowski morreu... Não esqueceremos o papel que ele desempenhou na história do nosso país e da nossa cidade", disse o prefeito de Gdansk, Pawel Adamowicz, na noite de segunda-feira em sua página do Facebook.

Jankowski apoiou ativamente o movimento clandestino pró-democracia nas décadas de 1970 e 80, e foi o primeiro capelão a celebrar missa para os operários no estaleiro de Gdansk, berço do movimento Solidariedade, que na ocasião faziam greve para tentar obter concessões do regime comunista.

"Sem a atitude dele, nossa luta não teria terminado em sucesso", disse Walesa à TV Polsat News.

Mas, na Polônia pós-comunista, Jankowski se tornou uma figura polêmica, conhecida pelo antissemitismo e pelas críticas à União Europeia. Foi proibido de pregar depois de declarar que os poloneses não deveriam tolerar uma minoria judaica no governo. Foi posteriormente afastado do cargo de pároco da igreja de Santa Brígida, em Gdansk.

Walesa disse que após a queda do comunismo as opiniões expressadas pelo padre fizeram com que os dois se distanciassem. "Ele tinha visões diferentes das minhas em muitas questões, e isso nos separou."

Jankowski, conhecido por salientar o papel dos judeus na morte de Jesus, tinha um especial apreço por carros de luxo e roupas caras, o que também lhe rendia críticas. Ele também se envolveu em atividades empresariais controversas, como o lançamento do vinho Monsignore, que tinha a imagem dele no rótulo.

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