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Paris: carro elétrico público vai custar R$ 9 por 30 min

18 dez 2010
17h29
atualizado em 19/12/2010 às 12h55
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Mário Camera
Direto de Paris

Após o sucesso do serviço das bicicletas de aluguel, a prefeitura de Paris anunciou nesta semana o Autolib, sistema que colocará à disposição dos motoristas milhares de carros elétricos, um projeto que pretende melhorar a oferta de transporte e diminuir a poluição na capital francesa. Para usar o sistema, o motorista precisará fazer uma assinatura (que pode ser anual, mensal ou apenas para um dia de uso) que varia de 12 euros por mês (R$ 26,98) a 10 euros por dia (R$ 22,49). Além da mensalidade, o usuário deve pagar uma taxa que vai de 4 (R$ 8,99) e 8 euros (R$ 17,99) por meia hora de uso do veículo.

O usuário terá de pagar mensalidade e mais um valor por cada 30 minutos de uso
O usuário terá de pagar mensalidade e mais um valor por cada 30 minutos de uso
Foto: AFP

O valor inclui um seguro total do automóvel durante o tempo de uso. O objetivo é fazer com que os parisienses troquem o veículo próprio pelo serviço. "Na cidade do século XXI, nós podemos, às vezes, precisar utilizar um carro sem, necessariamente, ter um", afirmou o prefeito de Paris, Bertrand Delanoe, que disse esperar que o serviço seja uma "revolução e inspire outras metrópoles mundiais".

O urbanista Antonio Duarte, presidente da associação Grand Paris, que debate o futuro da metrópole parisiense, aposta no serviço como uma grande vantagem para o cidadão que não precisa de um veículo todos os dias.

"O custo de um carro 365 dias por ano é muito alto, principalmente em Paris. Além do preço de compra, existem os impostos, a manutenção, o estacionamento, etc. Se voce só precisa usar o carro de vez em quanto, o Autolib vai custar muito mais barato", calcula Duarte.

O grupo Bolloré será o responsável por explorar o serviço, que prevê a construção de mil pontos de retirada de veículos não apenas em Paris, mas em praticamente todas as cidades na periferia da capital.

O Autolib é baseado no mesmo sistema do Velib, que há três anos oferece aluguel de bicicletas em Paris e seus arredores. Será necessário apenas uma carteira de motorista para, por exemplo, retirar um carro no bairro central de Saint-Germain de Près e entregá-lo, minutos depois, em Montmatre, no norte da cidade.

Um veículo 100% elétrico
O Bluecar será o único modelo disponível para aluguel. Fabricado pela Bolloré, o carro foi desenhado pela italiana Pininfarina, responsável pelas curvas de alguns dos míticos carros da Ferrari, da Masserati e da Alfa Romeu. Além do design, o automóvel é totalmente elétrico, ou seja, não polui a atmosfera. O motor é alimentado por uma bateria LMP (lítio, metal e polímero), com autonomia de 250 km e tempo de recarga de quatro horas.

O carro inclui, ainda, rádio, GPS, computador de bordo que permite, entre outras coisas, reservar uma vaga de estacionamento logo após a retirada do veículo e, até mesmo, cadeiras para crianças. "O serviço deve ser excelente, para que os usuários não somente o utilizem, mas também apropriem-se dele", afirmou Delanoe, durante a apresentação do serviço.

Alugar um carro em 2 minutos
A facilidade para alugar um Autolib é outra das apostas dos idealizadores do projeto. Reservas poderão ser feitas por internet ou telefone. Ao chegar a um dos mil pontos de aluguel espalhados pelas ruas e estacionamentos subterrâneos, o motorista precisará apenas identificar-se, passando seu cartão de assinante por um leitor óptico ou fazer uma assinatura na hora, utilizando o cartão de crédito. A prefeitura calcula que a operação deva durar, em média, 2 minutos.

"Eu acho que a ideia é muito boa, porque é ecológico, economiza o tempo gasto na procura de uma vaga e, além do mais, não te obriga a ter um carro quando você precisa de um por somente algumas horas" diz Olivier Lecina, morador de Paris. A única coisa que preocupa esse jovem economista é o trânsito da capital. "Eu posso querer entregar o carro meia-hora depois e acabar pagando por uma hora e meia por causa dos engarrafamentos", lamenta.

O tráfego também é o principal ponto negativo do projeto para Marie Drollon, que vive em Montreuil e é proprietária de um automóvel. "O objetivo deveria ser limitar o número de carros em Paris, onde eu nunca entro porque está sempre engarrafado", desabafa a professora.

Marie também não pensa em trocar seu carro por um Bluecar. "Eu tenho um apego com o meu carro, sei onde estão minhas coisas, a posição do banco, a estação no rádio", diz. No entanto, ela admite que, para "os jovens da periferia, que não têm transporte público perto de casa, nem dinheiro para comprar um carro, o sistema pode servir".

Serviço deve crescer até 2016
Apesar de parecer absurda a ideia de colocar mais três mil carros em circulação em uma cidade que ao longo dos anos vem dificultando cada vez mais o trânsito de veículos motorizados, o Autolib é uma das esperanças para diminuir os engarrafamentos na capital.

"O serviço será colocado em prática gradualmente, para que a cidade e sua periferia possam absorver esses carros e as pessoas passem a usá-los, no lugar de seus próprios veículos", explica Ghislaine Calzaroni, responsável de projetos do grupo Bolloré.

O urbanista Antonio Duarte afirma que o Autolib "não terá impacto" no tráfego da capital e arredores. "Além disso, eles são ecológicos e não causam poluição atmosférica nem sonora", defende.

A previsão é que a primeira parte do serviço esteja pronta pra ser utilizada até o primeiro semestre de 2012. Com a provável participação de outras cidades dos arredores de Paris, o sistema deve estar completo em 2016. Somente na capital, 700 pontos Autolib deverão ser construídos.

O grupo Bolloré não informa o valor do investimento que será feito, mas gastará três mil euros anuais com a manutenção e o seguro de cada carro. As cidades envolvidas no projeto investirão 50 mil euros por ponto de retirada de veículos.

Redação Terra

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