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Oposição fala em apresentar moção de censura se Rajoy não se pronunciar

16 jul 2013
12h34
atualizado às 12h48

Alfredo Pérez Rubalcaba, líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), a principal força de oposição na Espanha, anunciou nesta terça-feira que apresentará uma moção de censura ao governo se o chefe do Executivo, Mariano Rajoy, comparecer ao Parlamento para dar explicações sobre o "caso Bárcenas".

Até agora, o Partido Popular (PP, centro-direita) rejeitou os pedidos dos grupos da oposição para que Rajoy explique no Parlamento o escândalo de corrupção gerado em torno do ex-gerente do partido, que está na prisão acusado de suborno e lavagem de capitais.

Como o PP tem maioria absoluta no Parlamento, uma moção de censura não iria adiante.

Rubalcaba, que reivindicou a renúncia de Rajoy, disse hoje que pediria a moção de censura porque considera que o "caso Bárcenas" desencadeou uma crise política "incalculável" no país e contaminou de forma "irremediável" a imagem da Espanha.

O dirigente socialista admitiu que o PSOE não tem os votos suficientes para exigir a substituição do presidente do governo, mas explicou que apresentará a moção para obrigar a que Rajoy compareça e dê explicações.

O chefe do Executivo disse ontem, segunda-feira, em entrevista coletiva que não pensa em renunciar e que completará seu mandato.

"Se outros querem julgar outras coisas por uma ou outra razão, é responsabilidade deles, mas eu vou a dar a garantia aos espanhóis que aqui há um governo estável e que vai cumprir com sua obrigação", disse, após afirmar que um chefe do Executivo "não posso estar me pronunc a cada dia a insinuações, rumores ou informações interessadas".

O porta-voz do PP no Senado (câmara alta), José Manuel Barreiro, acusou hoje o secretário-geral do PSOE de ter formado uma "coalizão de interesses" com o ex-tesoureiro do PP.

Em seu discurso perante o Conselho Permanente do Senado, que deve rejeitar o pronunciamento de Rajoy solicitado pelos grupos da oposição, Barreiro disse que o único interesse de Rubalcaba neste caso não é saber a verdade, mas tirar Rajoy do governo.

"Buscar uma via que as urnas não lhe deram para chegar ao governo, essa é a única razão", denunciou, após assinalar que o chefe do governo deu cumpridas explicações sobre o assunto.

A vice-presidente do governo, Soraya Sáenz de Santamaría, disse hoje que o Executivo seguirá adiante e intensificará a "linha reformista" que empreendeu ao início desta legislatura e "nada nem ninguém" o fará retroceder em seu empenho para sair da crise.

O ministro da Economia e Competitividade, Luis de Guindos, assegurou também por sua vez que a estabilidade política na Espanha "está garantida", que os mercados internacionais estão convencidos disso e que o governo continuará aplicando sua atual agenda de reformas.

Segundo De Guindos, a estabilidade política que a Espanha oferece é "um dos grandes valores do país" e informações como as do "caso Bárcenas" não afetam sua imagem nos mercados externos.

Luis Bárcenas apresentou sua renúncia definitiva como tesoureiro do PP em abril de 2010 e em depoimentos ao juiz depois que foi revelado que tinha contas na Suíça no valor de 48 milhões de euros, afirmou que o PP mantinha uma contabilidade paralela e que foi financiado de forma irregular durante 20 anos.

O ex-tesoureiro também afirmou que havia entregado salários extras a altos escalões do partido, o que motivou as reivindicações da oposição.

O caso veio à tona após a publicação na imprensa de uma suposta contabilidade paralela com anotações de pagamentos secretos a diversos cargos do PP.

O ex-tesoureiro está desde 27 de junho em prisão incondicional e sem fiança por risco de fuga depois que supostamente tentou transferir fundos de suas contas na Suíça ao Uruguai e Estados Unidos.

EFE   
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