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Noruega: atirador citou Putin e o Papa em seu manifesto

25 jul 2011
09h23
atualizado às 10h18

Vários meios de comunicação russos assinalaram nesta segunda-feira que o suspeito dos mortíferos ataques de sexta-feira na Noruega citou o primeiro-ministro russo Vladimir Putin e a forma de governo aplicada na Rússia entre suas referência em um manifesto difundido na internet.

Em um manifesto divulgado na internet, Anders Behring Breivik posa com uma arma
Em um manifesto divulgado na internet, Anders Behring Breivik posa com uma arma
Foto: AFP

Em seu manifesto de 1,5 mil páginas, Anders Behring Breivik se refere à Rússia quando fala do modo ideal de governo, afirma o jornal Kommersant.

"A democracia de massas que mostrou sua ineficácia na Europa deve ser substituída por uma forma de democracia dirigida que se assemelhe à da Rússia", afirma o autor do texto.

"Entre os políticos russos, o texto se refere mais frequentemente ao primeiro-ministro Vladimir Putin. Ele o coloca, assim como ao Papa, na lista de pessoas que gostaria de conhecer pessoalmente", acrescenta o Kommersant.

"Putin dá a impressão de ser um líder justo e firme, que merece respeito", acrescenta o texto. O jornal on-line gazeta.ru enfatiza, por sua parte, que além da referência ao atual primeiro-ministro russo, o texto do suspeito toma como modelo o movimento de jovens pró-Putin para a criação de um "movimento conservador e patriótico juvenil" na Noruega.

O documento de 1.500 páginas redigido aparentemente pelo norueguês que matou 92 pessoas em dois atentados em Oslo revela que o ataque já era preparado desde o outono (boreal) de 2009.

O texto, publicado na internet diariamente, inclui um manual sobre como montar bombas e um discurso contra o Islã e o marxismo.

Anders Behring Breivik, um norueguês de 32 anos, detalha os preparativos de sua ação, destacando "o uso do terrorismo como um meio de despertar as massas", e admite que será lembrado como "o maior monstro nazista desde a II Guerra Mundial".

Com várias referências históricas, o manifesto inclui numerosos detalhes da personalidade do agressor, seu modus operandi para fabricar bombas e seu treinamento de tiro, além de um minucioso diário dos três meses que precederam o ataque.

O texto, escrito em inglês, tem o título "A European Delaration of Independence - 2083" (Uma declaração de Independência Europeia - 2083) e é firmado sob o pseudônimo "Andrew Berwick".

"Meu nome, Breivik, remonta à época anterior a dos vikings. Behring é um nome germânico pré-cristão que deriva da palavra Behr, que em alemão significa urso (...) e Anders (Andreas) é o equivalente escandinavo de (...) Andrew", explica.

"Um alvo prioritário é a reunião anual do partido socialista/social democrata", diz o texto, que também explica como montar uma empresa de fachada, mineradora ou agrícola, para adquirir explosivos.

O documento acaba assim: "Acredito que será minha última postagem. Estamos na sexta-feira, 22 de julho, às 12h51", apenas três horas antes da explosão de uma bomba no centro de Oslo e do posterior ataque à colônia de férias do Partido Trabalhista.

Behring admitiu hoje que participou dos ataques, que "foram planejados há muito tempo", informou seu advogado Geir Lippestad.

Tragédia na Noruega
A Noruega viveu na última sexta-feira, dia 22, a maior tragédia do país desde a Segunda Guerra Mundial. Dois atentados deixaram, até o momento, um saldo de 93 mortos. Primeiro, uma bomba explodiu no centro da capital, Oslo, na região onde estão localizados vários prédios governamentais, inclusive o escritório do premiê, Jens Stoltenber. Sete pessoas morreram, mas a polícia admite possa haver corpos não resgatados nos prédios.

A segunda tragédia aconteceu em uma ilha próxima da capital, Utoya. Lá, Anders Behring Breivik, um homem de 32 anos vestido com uniforme da polícia, abriu fogo contra jovens reunidos em um acampamento de verão. Ao menos 86 morreram, a maioria pelos tiros disparados. Alguns outros morreram afogados após tentarem fugir nadando. Anders foi detido logo depois, pela polícia, e admitiu o crime. O atirador, que é ligado à extrema-direita e publicou um manifesto na internet chamando à violência contra muçulmanos e comunistas, também tem envolvimento no ataque em Oslo. Ele deve prestar depoimento na segunda-feira.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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