atualizado às 13h59

Nas urnas gregas, as opiniões em busca de melhoras se polarizam

 

Esperança de mudança ou medo ao radicalismo. Esse é o dilema dos gregos na votação crucial das eleições gerais realizadas neste domingo, que podem definir não só o futuro do país, mas do conjunto da zona do euro.

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A situação se reflete no exemplo de Manos, estudante de 22 anos, e seu pai, Iosef, aposentado de 64 anos. Ambos votaram neste domingo com a esperança de "uma mudança para o país" em um colégio eleitoral de Kukaki, bairro de uma classe média empobrecida no centro de Atenas. Trata-se de um desejo comum de ambos expressado de forma totalmente diferente: Iosef apostou nos conservadores da Nova Democracia - "o único partido que pode mudar a situação e melhorar a economia" - e seu filho no minoritário Esquerda Anticapitalista - "os mais dispostos a mudar este país, embora não entrem no Parlamento".

"Esta é a diferença entre a velha e a nova geração", reconheceu Manos em declarações à Agência Efe. Takis, um DJ de 46 anos que até agora era seguidor do Partido Comunista, preferiu dessa vez votar na legenda esquerdista Syriza, com a esperança de que um novo governo "tire a Grécia da miséria" e faça a "dignidade" do país ser respeitada. "Não tenho muita esperança nos políticos, mas espero que o Syriza não cometa os mesmos erros que os partidos anteriores".

O jovem eletricista Babis também deu seu apoio ao Syriza, alegando que está mais preocupado com a corrupção política do que com a crise econômica. Também farto dos partidos tradicionais votou Zeodoros Mijelakis, ex-membro das Forças Especiais da Marinha. Ele, que apoia os nacionalistas do grupo Gregos Independentes, repudia o memorando de austeridade adotado por Atenas para receber os empréstimos da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Antes eu votava na Nova Democracia, mas jamais voltarei a fazê-lo. Agora voto pelos Gregos Independentes, que são menos corruptos e dos quais espero que não apoiem aos partidos pró-memorando nem o Syriza, porque não me gostam os comunistas", declarou o ex-membro da Marinha, ao votar no bairro operário de Neons Kosmos.

"Estou ciente de que temos de pagar nossas dívidas, mas primeiro precisam nos deixar viver", disse Zeodoros, em referência ao crescente desemprego e à recessão econômica decorrentes das duras medidas de austeridade - como cortes de gastos, demissão de funcionários públicos e aumento de impostos. Perguntado sobre o apoio de alguns militares ao polêmico partido neonazista Aurora Dourada, este ex-membro das Forças Armadas não escondeu sua rejeição à legenda: "Meu avô morreu lutando contra os alemães nazistas e os italianos fascistas. Desonraria minha família se votasse pelo Aurora Dourada".

Também está presente entre a população o antigermanismo gerado pela postura rígida das autoridades alemãs quanto às medidas de austeridade de Atenas, sobretudo um dia após a chanceler Angela Merkel avisar que não permitiria a renegociação das condições do pacote de resgate grego, algo exigido tanto pelos conservadores como pelos esquerdistas. "Não quero que meu país saia do euro, mas também não que os alemães nos digam o que temos que fazer", explicou um policial, que vigiava um colégio eleitoral.

Do outro lado estão os eleitores que temem um resultado ameaçador para a estabilidade do país, como Effi, um professora de meia idade, tradicional seguidora do Movimento Socialista Pan-Helênico (Pasok), que desta vez, no entanto, apoio os conservadores. "Votei pelos conservadores para que meu país permaneça no euro", afirmou a eleitora, que apoia uma renegociação do memorando, mas reconhece que será difícil fazê-lo na atual conjuntura europeia. O médico Tasos, eleitor conservador de 65 anos, disse ter votado pela permanência do país na zona do euro. "Espero que amanhã haja um governo estável".

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