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20 de abril de 2013 • 16h58 • atualizado às 17h00

Napolitano é reeleito presidente da Itália perante total paralisia do país

 

Giorgio Napolitano, de 87 anos, foi reeleito presidente da República italiana na sexta votação do Parlamento, depois que os partidos políticos o indicassem neste sábado para voltar a representar o país perante a total paralisia política na qual a Itália se encontra imersa.

Napolitano, que se torna assim o primeiro presidente italiano a repetir este mandato de sete anos, obteve 738 votos, superando amplamente a maioria absoluta de 504 votos requeridos.

Em um país no qual há dois meses não se consegue formar um Governo, após três dias e cinco votações as forças políticas também pareciam incapazes de conseguir uma maioria absoluta para eleger um candidato.

Pessoas do calibre do ex-sindicalista Franco Marini e o duas vezes primeiro-ministro e ex-presidente da Comissão Europeia, Romano Prodi, não conseguiram ser escolhidas e as forças políticas se encontraram sem soluções e sem candidatos.

A isto se unia a cisma vivida pelo Partido Democrata (PD), que foi incapaz de votar em bloco, o que ontem provocou a renúncia do secretário-geral da formação, Pier Luigi Bersani, assim como a da presidente Rosi Bindi.

Bersani, cuja renúncia será efetiva hoje após a reeleição do presidente, foi a Quirinale, sede da Chefia de Estado para pedir ajuda a Napolitano em seu último gesto como político responsável.

Após Bersani, também passaram pelo Quirinale entre outros Silvio Berlusconi, líder do Povo da Liberdade; o presidente do Governo interino, Mario Monti, e membros de seu partido, Escolha Cívica.

Perante tanta insistência e a grave situação de paralisia do país, Napolitano emitiu um comunicado no qual aceitava voltar a apresentar sua candidatura.

"Consciente das razões que se me apresentaram, e em respeito às personalidades que até agora se submeteram ao voto para as eleições do novo chefe de Estado, considero que tenho o dever de oferecer a disponibilidade que me foi pedida", escreveu Napolitano em uma nota.

A escolha de Napolitano aconteceu com cenas de ovações por parte de todos os partidos, com exceção do Movimento 5 Estrelas (M5S) do comediante Beppe Grillo.

Os parlamentares do M5S continuaram durante todas as votações a apoiar o jurista Stefano Rodotà, que na sexta apuração alcançou 217 votos, muitos mais do que os 159 com os quais conta a formação de Beppe Grillo.

Se dentro do Parlamento era possível ver rostos relaxados, fora, perante o Palácio de Montecitorio, sede da câmara dos Deputados, onde foram realizadas as votações, milhares de pessoas se concentraram para protestar contra a reeleição de Napolitano.

Se tratava, sobretudo, de eleitores do M5S que durante estes dias se concentraram perante o Parlamento para pedir a eleição de Rodotà.

Aos gritos, os manifestantes e os membros do M5S afirmaram que continuarão "ocupando" a praça durante toda a noite, perante a "injustiça" da escolha de Napolitano.

O líder do M5S, Grillo, tinha afirmado que com esta reeleição de Napolitano está sendo produzido "um golpe de Estado" e anunciou sua chegada durante a tarde para se unir ao protesto perante o Palácio de Montecitorio.

Napolitano, o "último comunista", como se autointitula em uma de suas biografias, tinha reiterado em várias ocasiões que não estava disposto a continuar na chefia de Estado, sobretudo por sua idade.

Agora, o presidente terá que unir todas as forças possíveis para, após jurar seu cargo, -provavelmente na segunda-feira- voltar a realizar uma rodada de consultas para saber se há novas soluções para formar Governo.

Os meios de comunicação afirmam que Napolitano teria posto como condição para sua reeleição a disponibilidade dos partidos a apoiar um Governo de transição que aprove algumas reformas urgentes.

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