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Morte de Kadafi não é uma boa notícia, analisa filósofo francês

20 out 2011
11h44
atualizado às 15h47
Lúcia Müzell
Direto de Paris

A morte do coronel Muammar Kadafi não é uma boa notícia para a Líbia, na visão do filósofo francês Bernard Henri-Lévy, um dos pensadores contemporâneos mais respeitados da França. Em entrevista ao canal de televisão BFM TV, o escritor analisa que a captura e o julgamento do ex-ditador teriam ajudado mais o país "a virar a página de 40 anos de repressão e violências" impostas à população ao longo do período em que Kadafi ocupou o poder.

"É uma má notícia porque a Líbia vai reescrever a sua história sem um processo, sem Justiça e sem a verdade", disse Henri-Lévy, em entrevista antes da confirmação da morte do coronel. "É muito importante para os líbios conhecerem a verdade e fazer Justiça por estes 40 anos, nos quais tantos opositores desapareceram, foram torturados e mortos."

BHL, como é conhecido na França, considera que a queda de Sirte e a localização do ex-ditador representam "uma bela vitória política para o Conselho Nacional de Transição e aos aliados ocidentais" que coordenaram a operação militar para libertar o país do ditador. De acordo com Henri-Lévy, "uma página em branco está diante do povo líbio, que agora é dono do próprio destino". O filósofo estima que cabe aos líbios determinarem o futuro do país, depois de conseguirem se livrar de "uma das mais ferozes ditaduras da história moderna".

O escritor considera que o CNT, formado pelos insurgentes líbios, tem capacidade de organizar uma transição democrática no país a partir de agora, quando a era Kadafi parece estar definitivamente encerrada. Henri-Lévy lembra que todas as democracias se consolidaram após períodos de desordem e discordâncias e que mesmo as democracias consolidadas têm sempre ajustes a realizar.

A França foi um dos países mais mobilizados para promover a queda de Kadafi, ao lado dos Estados Unidos e do Reino Unido. A coalizão ocidental começou a atuar na Líbia um mês após o início das revoltas contra o ditador, iniciadas em 17 de fevereiro.

A imprensa francesa já comemora a queda definitiva do coronel. O jornal Le Figaro afirma que "está aberta a mais bonita página da história da Líbia", o que só aconteceria depois que o "tirano" fosse encontrado.

Insurreição líbia culmina com queda de Sirte e morte de Kadafi
Motivados pelos protestos que derrubaram os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em fevereiro para contestar o coronel Muammar Kadafi, no comando desde a revolução de 1969. Rapidamente, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas de leste a oeste.

A violência dos confrontos gerou reação do Conselho de Segurança da ONU, que, após uma série de medidas simbólicas, aprovou uma polêmica intervenção internacional, atualmente liderada pela Otan, em nome da proteção dos civis. No dia 20 de agosto, após quase sete meses de combates, bombardeios, avanços e recuos, os rebeldes iniciaram a tomada de Trípoli, colocando Kadafi, seu governo e sua era em xeque.

Dois meses depois, os rebeldes invadiram Beni Walid, um dos últimos bastiões de Kadafi. Em 20 de outubro, os rebeldes retomaram o controle de Sirte, cidade natal do coronel e foco derradeiro do antigo regime. Os apoiadores do CNT comemoravam a tomada da cidade quando os rebeldes anunciaram que, no confronto, Kadafi havia sido morto. Estima-se que mais de 20 mil pessoas tenham morrido desde o início da insurreição.

Fonte: Especial para Terra

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