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Mesmo pressionado, Berlusconi pretende completar mandato

21 jun 2011
13h59
atualizado às 14h40

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, manifestou nesta terça-feira o desejo de completar seu mandato até o fim de 2013, apesar da insistência da oposição em pedir sua renúncia. "Expresso minha firme intenção de completar o programa de governo, chegando ao final da legislatura em 2013", indicou Berlusconi no Senado.

Berlusconi reclina-se aliviado em sua poltrona do Parlamento italiano após obter o voto de confiança
Berlusconi reclina-se aliviado em sua poltrona do Parlamento italiano após obter o voto de confiança
Foto: AFP

O comparecimento de Berlusconi no Senado corresponde ao primeiro dos dois passos parlamentares que o presidente da República, Giorgio Napolitano, exigiu em maio após as mudanças no governo e a nomeação de subsecretários. "Compartilho o chamado à responsabilidade e à unidade. Temos de encontrar unidade sobre os valores comuns", afirmou o primeiro-ministro, quem demonstrou certeza de que seu governo sairá reforçado deste trâmite e afirmou que não existe alternativa ao Executivo.

O chefe do governo italiano, que nesta manhã conseguiu superar uma questão de confiança na Câmara Baixa, afirmou que a Itália tem de seguir sendo governada por quem ganhou as eleições legislativas de 2008, apesar das derrotas sofridas nas recentes eleições municipais. "Ninguém na Europa nem no mundo reivindica a renúncia do chefe do governo a partir das eleições municipais. A anomalia é pedir a renúncia. Isto é um mero exercício de propaganda", comentou Berlusconi. "Os resultados das eleições municipais podem trazer reflexões, mas não podem influenciar a duração de uma legislatura".

Berlusconi afirmou que sua intenção não é a de continuar na Presidência do governo "pela vida toda" nem ser para sempre o líder dos conservadores, embora tenha indicado que só abandonará este último mandato quando puder deixar de herança um "grande partido de centro-direita inspirado no Partido Popular Europeu". O primeiro-ministro apelou à responsabilidade que seria derrubar seu governo, já que isso iria representar um "desastre" para o país em um momento de crise econômica e no qual as agências de classificação de risco têm a Itália "sob observação", devido ao elevado endividamento público.

"O interesse dos italianos é que a legislatura chegue ao fim e que até lá as contas estejam em ordem, por isso temos de evitar acabar como outros países europeus, que estão se sangrando", afirmou Berlusconi. Após o comparecimento do chefe do governo ocorrerá um debate dos grupos políticos no Senado.

EFE   
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