Europa

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22 de janeiro de 2013 • 22h30 • atualizado às 22h34

Merkel e Hollande comemoram os 50 anos do Tratado do Eliseu

Os líderes dos dois países reforçam o compromisso de uma parceria ainda mais estreita e a responsabilidade comum na superação da crise do euro
Foto: AP

Na comemoração dos 50 anos do Tratado do Eliseu, os líderes dos dois países reforçam o compromisso de uma parceria ainda mais estreita e a responsabilidade comum na superação da crise do euro. A sessão conjunta da câmara baixa do Parlamento alemão e da Assembleia Nacional francesa, realizada nesta terça-feira em Berlim, foi o ponto alto das celebrações dos 50 anos do tratado, marco fundamental da conciliação entre a França e a Alemanha após a Segunda Guerra Mundial.

Além do presidente francês, François Hollande, e do primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault, cerca de 400 deputados e diversos membros do governo em Paris estiveram em Berlim para as comemorações do acordo assinado em 22 de janeiro de 1963 pelo então chanceler federal alemão, Konrad Adenauer, e pelo presidente francês Charles de Gaulle no Palácio do Eliseu, sede do governo francês.

A sessão parlamentar conjunta foi precedida de uma reunião conjunta de gabinete. Anteriormente, Hollande havia recebido a chanceler federal alemã, Angela Merkel, na embaixada francesa, marcando assim o início das comemorações em Berlim. Em seguida, ainda no período da manhã, o presidente francês foi recebido pelo presidente Joachim Gauck no Palácio Bellevue, residência oficial do presidente alemão.

Durante os diversos eventos comemorativos, Merkel e Hollande afiançaram a responsabilidade conjunta dos dois países com vista à superação da crise do euro. A cooperação nas áreas de política externa e de defesa deverá ser intensificada e o orçamento da Agência Franco-Alemã para a Juventude (DFJW, na sigla em alemão) deverá ser elevado.

Juventude "em primeiro lugar"
Para a chanceler federal alemã e o presidente francês, os contatos entre os jovens alemães e franceses estão "em primeiro lugar". No Bundestag, Hollande disse aos parlamentares que "a juventude dos nossos países têm a grande sorte de não conhecer nada além da paz e da democracia". Hollande disse ainda que a cooperação entre os parceiros deve acontecer em nome dos jovens que agora estão enfrentando "uma crise econômica e social de duração sem precedentes".

Já antes das comemorações foi anunciada uma elevação do orçamento da DFJW em quase 10% para 23 milhões de euros – o primeiro aumento do orçamento da instituição desde que ela foi criada, em julho de 1963, poucos meses depois da assinatura do Tratado do Eliseu.

Desde então, segundo dados da DFJW, mais de 8 milhões de jovens franceses e alemães participaram de mais de 300 mil programas de intercâmbio. Berlim e Paris compartilham igualmente os custos da DFJW.

Amizade aberta
Aos parlamentares franceses e alemães, Merkel disse que a amizade entre os dois países "não exclui ninguém, é aberta" e deve levar a Europa consigo "porque a Europa quer progredir conosco." Merkel e Hollande acordaram que, até maio, deverão ser apresentadas sugestões para uma cooperação político-econômica mais profunda na Europa. Uma das propostas deverá levar a um acordo sobre o futuro orçamento da União Europeia.

Os dois países também querem cooperar mais estreitamente com vista ao desenvolvimento de energias renováveis. Em seu discurso no Bundestag, Hollande declarou que "trata-se de transmitir à Europa confiança em seu futuro".

Apoio à França no Mali
Merkel apelou a franceses e alemães a constantemente revigorar a amizade entre os dois países. Assim como Hollande, ela falou aos parlamentares sobre a missão militar francesa no Mali. A luta contra os terroristas islâmicos exige todo esforço, disse a chanceler federal. "Para nós, é óbvio assumir esse desafio conjuntamente. E, por isso, a Alemanha está do lado da França." Merkel não deu, no entanto, nenhuma confirmação de novas ajudas militares.

Hollande elogiou o apoio dado pela Alemanha através do envio de dois aviões de transporte do tipo Transall: "Eu nunca tive dúvidas de que a Alemanha e os outros países europeus se mostrariam politicamente solidários". A intervenção no Mali é necessária, disse Hollande. "Mais tarde teria sido tarde demais."

O presidente francês também rebateu acusações de que a França persegue interesses próprios no Mali. Seu país pretende ser útil para a África e para a Europa, salientou Hollande.

Boas, mas não óbvias
Em declaração conjunta dos Parlamentos dos dois países, Alemanha e França afirmam, entre outros pontos, que a Europa está diante de grandes desafios políticos e econômicos. Justamente em períodos de crise, a cooperação franco-alemã deve ser usada para um maior crescimento conjunto da União Europeia, afirma o documento.

"Esse crescimento conjunto não deve ser reduzido a questões econômicas e monetárias, mas deve dar principalmente à juventude na Europa novas perspectivas de educação, trabalho e crescimento", diz a declaração conjunta.

O presidente do Bundestag, Norbert Lammert, apelou à juventude para que preserve o legado da conciliação entre as duas nações. As boas relações são normais, mas não são óbvias, disse Lammert.

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