0

Líder da esquerda italiana inicia consultas para formar governo

23 mar 2013
10h04
atualizado às 13h08

O líder da esquerda italiana, Pier Luigi Bersani, a quem o presidente da República, Giorgio Napolitano, encarregou de formar um novo governo, inicia neste sábado suas primeiras consultas neste sentido.

Primeiramente, Bersani receberá as delegações da associação de prefeitos italianos e do setor terciário e, no domingo, os sindicatos de agricultores e a Confindustria, a principal confederação patronal italiana.

Na segunda, se dedicará às quatro confederações sindicais mais importantes e iniciará as consultas com as diferentes forças políticas.

Segundo a imprensa italiana, Bersani deve terminar suas consultas na terça ou quarta, e poderá se reunir em seguida com o presidente da República para comunicar os resultados.

Napolitano anunciou na sexta-feira que encarregou o Bersani de formar um governo para tirar a Itália do atoleiro político no qual se encontra, após os complexos resultados das eleições legislativas de fim de fevereiro, que não tiveram um claro vencedor.

Bersani, líder do Partido Democrático, aliado da formação de extrema esquerda Sel, que obteve a maioria absoluta na Câmara de Deputados, mas não no Senado, necessária para conquistar a confiança do Parlamento e poder governar, afirmou que tentará ser equilibrado e ponderado em suas decisões.

"Eu levarei o tempo necessário, é uma situação difícil", reconheceu Bersani, que prometeu um governo que promoverá "mudanças e reformas, entre elas a do sistema político", afirmou.

Bersani não quis aliar-se à direita do ex-primeiro-ministro e magnata das Comunicações Silvio Berlusconi, mas também conseguiu o apoio do Movimento 5 Estrelas (M5S), do irreverente humorista "antissistema" Beppe Grillo, inesperadamente convertido em líder da terceira força política do Parlamento.

A instabilidade política da terceira economia da zona do euro gera preocupação em todo o Velho Continente em pleno abalo causado pela crise no Chipre.

O M5S obteve o maior número de votos nas eleições legislativas de 24 e 25 de fevereiro, mas terminou como a terceira força parlamentar, atrás das coalizões de esquerda de Bersani e de direita de Silvio Berlusconi.

Com a designação de Bersani, Napolitano tenta resolver a complexa situação antes que termine sua mandato, em 15 maio, também alvo de negociações secretas entre os partidos.

Há várias semanas Bersani tenta em vão obter o apoio de Grillo, porta-voz dos indignados italianos.

O programa de governo de Bersani é limitado e inclui uma redução do número de parlamentares, uma das maiores exigências do Movimento 5 Estrelas.

A Itália está sem uma maioria clara em um contexto de recessão e alto endividamento, e com a Comissão Europeia pedindo que mantenha as reformas econômicas e de austeridade empreendidas pelo gabinete anterior do tecnocrata Mario Monti.

Bersani vai tentar reunir uma maioria de parlamentares, incluindo no Senado, sobre um programa de oito pontos que contém diversas reivindicações caras ao M5S.

A direita de Berlusconi não acredita em um governo de esquerda e mantém a esperança de que Bersani se veja obrigado a se procurá-la para conseguir uma maioria parlamentar e evitar um retorno às urnas.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 

compartilhe

publicidade