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Letônia apresenta referendo para decidir língua oficial do país

17 fev 2012
16h30
atualizado às 17h10

Um referendo perguntará aos cidadãos da Letônia no sábado se eles querem que o russo seja a segunda língua oficial deste pequeno país báltico e, portanto, um dos idiomas da União Europeia. "Levamos 20 anos de discriminação dos russófonos na Letônia. Isso nos esgotou a paciência. Nossa resposta à segregação é esta consulta popular", afirmou nesta sexta-feira à Agência Efe Vladimir Linderman, dirigente da organização "Rodnoj Jazyk" (Língua Materna).

No caso dos letãos responderem com um "sim", os documentos governamentais deverão ser traduzidos à língua de Pushkin e o mesmo ocorreria com as diretrizes comunitárias e a tradução simultânea de atos oficiais no marco da UE.

Linderman, que se encontra em Bruxelas e viajou também a Estrasburgo para se reunir com os parlamentares europeus, recebeu cerca de 200 mil assinaturas para convocar essa consulta na Letônia, um país que tem 2 milhões de habitantes.

"A situação dos russos na Letônia é uma vergonha para a União. Quase 40% dos letãos considera o russo como sua língua mãe. A consulta é uma proposta desesperada de diálogo para solucionar este problema", insistiu Linderman.

No entanto, essa não é a opinião dos partidos governistas, Reforma e Unidade, que considera que o plebiscito é uma "provocação" e que só contribui para dividir à sociedade. "O plebiscito gira em torno de uma pergunta impossível. O russo nunca será nossa língua oficial. Os ativistas desta causa sabiam disso e o único objetivo desta ação era provocar um conflito social", assegurou nesta sexta-feira à agência Efe Valdis Zatlers, ex-presidente letão e líder do partido da Reforma.

Zatlers nega que a minoria de russófonos esteja sendo discriminada na república báltica desde sua independência da União Soviética em 1991. "Não há discriminação de nenhuma classe. Nossa sociedade é aberta e democrática. Não há divisões, nem administrativas e nem sociais. A minoria russa tem os mesmos direitos à educação e saúde que a maioria dos letãos", ressaltou.

O ex-presidente acredita que "os funcionários europeus são muito conscientes que o que está em jogo no plebiscito é mais que o status da língua russa na Letônia, é seu status no seio de toda a União".

Segundo Zatlers, essa iniciativa possui certo respaldo da vizinha Rússia, que acusa à Letônia e também à vizinha Estônia de marginalizar as minorias russas. "O governo russo atua diretamente nesse referendo. Moscou utiliza às diásporas russas como instrumento de influência e pressão para desestabilizar as sociedades vizinhas", denunciou o ex-presidente.

Alexei Loskutov, um deputado do partido da Unidade, segue a mesma linha de raciocínio e convocou todos os letãos para comparecer às urnas "e defender o letão como única língua oficial". "Nossa posição é clara. Somos um pequeno Estado e o fato de que o letão seja a única língua oficial garante nossa independência", disse o deputado.

Loskutov lembra que "a influência da imprensa russa na Letônia é muito grande, e as tensões sociais que são retratadas não existem, já que letãos e russos vivem em harmonia". "Os russos que apoiam o sim só pensam em sua comodidade. Dizem que estão discriminados, quando em 20 anos de independência não quiseram aprender letão. Por isso, não podem trabalhar nem na administração, nas forças de segurança e, dificilmente, na saúde", comentou.

Loskutov lembra que, embora não seja obrigatório, muitas instituições públicas traduzem seus documentos para o russo. Já o partido pró-russo Centro da Harmonia, principal formação opositora, oferece uma variante intermédia neste caso, já que advoga a favor de uma reforma na Constituição para que o russo receba "o status jurídico de idioma da minoria".

"Gostamos do modelo espanhol. Propomos uma solução de compromisso. Atualmente, o russo é considerado um idioma estrangeiro pela Constituição", indicou. O próprio Linderman reconhece que o referendo é "uma desculpa" para denunciar a segregação dos russos em um país que é membro da UE desde 2004. "Aceitamos a proposta do Centro da Harmonia. Se a língua russa recebe status legal, poderíamos defender nossos direitos e o russo poderia ser utilizado, quanto menos, na administração municipal", assegura o dirigente da "Língua Materna".

EFE   

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