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Julian Assange, fundador do WikiLeaks, é detido em Londres

7 dez 2010
08h21
atualizado às 13h01

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, foi preso nesta terça-feira no Reino Unido por agentes da Polícia Metropolitana de Londres, a Scotland Yard, após se apresentar em uma delegacia da capital britânica. A detenção tem base em um mandado internacional de prisão emitido pela Suécia. Ele deve prestar depoimento no tribunal de primeira instância de Westminster ainda hoje.

Fundador do Wikileaks está preso em Londres

Em um comunicado, a Scotland Yard informou que Assange foi detido por volta das 9h30 (horário local, 7h30 de Brasília). Ontem ele havia marcado um horário para se apresentar em uma delegacia. Promotores suecos emitiram um mandado de prisão para o australiano de 39 anos, que é procurado na Suécia sob suspeita de cometer crimes sexuais, acusação que ele nega.

"Agentes da unidade de extradições da polícia metropolitana prenderam nesta manhã Julian Assange em nome das autoridades suecas por suspeita de estupro", declarou a polícia. A polícia acrescentou que Assange recebeu uma acusação de coerção ilegal, duas acusações de assédio sexual e uma de estupro, todas elas supostamente cometidas em 20 de agosto.

Ontem o advogado britânico de Assange havia declarado que estava organizando um encontro entre seu cliente a polícia. "No fim da tarde recebi um telefonema da polícia para dizer que receberam o pedido de extradição da Suécia", declarou Mark Stephens. "Estamos tomando providências para nos reunirmos com a polícia voluntariamente a fim de facilitar o interrogatório de que precisam", afirmou, na oportunidade.

Um porta-voz do tribunal de Westminster disse que Assange deve prestar depoimento por volta das 14h (12h de Brasília), a menos que seja concedida uma permissão especial para que ele seja ouvido mais tarde. Ontem à noite, outra advogada de Assange, Jennifer Robinson, afirmou que seu cliente não havia sido informado sobre todas as acusações que enfrenta.

Segundo o NYT, as acusações são baseadas em encontros sexuais com duas mulheres. As relações, que começaram consentidas pelas envolvidas, acabaram não consentidas quando Assenge não quis mais usar caminsinha. A Suécia expediu o primeiro mandado de prisão para Assange em 18 de novembro, mas a ação foi invalidada por um erro processual. Um novo mandado foi emitido em 2 de dezembro.

Ainda na segunda-feira, o banco suíço PostFinance congelou as contas de Assange. O site diz que a medida bloqueia 31 mil euros. Em comunicado, o WikiLeaks afirmou que Assange perdeu 100 mil euros em bens em uma semana.

"Hora da verdade"
Stephens assinalou que "é hora" de se chegar "à verdade", e que seu cliente quer "limpar seu nome". "É bastante estranho, porque o promotor sueco abandonou o caso ele em setembro (...) e algumas semanas mais tarde - após o discurso de um político -, um novo promotor, não em Estocolmo, onde estavam Julian e essas mulheres, mas em Gotemburgo, começou um novo caso que resultou nestas ordens", disse o advogado.

Stephens já tinha indicado que seu cliente lutará contra sua possível extradição à Suécia, já que teme que, a partir de lá, possa ser entregue aos Estados Unidos, onde alguns políticos chegaram a pedir sua execução. O cerco a Assange ganhou força nos últimos dias, com o fechamento dos servidores do WikiLeaks em vários países e de sua conta bancária pessoal na Suíça.

A agência britânica responsável pelo combate ao crime organizado (SOCA) anunciou antes da detenção que, como acontece nestes casos, quando a pessoa que é objeto de uma ordem de prisão internacional comparece à presença do juiz recebe a opção de aceitar voluntariamente a extradição.

Em caso contrário, uma nova audiência é marcada para ouvir os argumentos das duas partes envolvidas. Depois o juiz se pronuncia sobre a extradição ou libertação. Com as apelações previstas pela lei, que podem chegar à Suprema Corte, o caso pode durar meses.

Vazamentos
A intensificação da busca por Assange e sua posterior prisão coincidiram com o vazamento pelo WikiLeaks e cinco grandes jornais do mundo de milhares de documentos diplomáticos confidenciais dos Estados Unidos. As revelações provocaram a revolta dos Estados Unidos e de muitos países envolvidos.

O WikiLeaks publicou, por exemplo, na segunda-feira uma lista secreta explosiva dos lugares estratégicos no mundo que Washington deseja proteger de atentados, por considerar que a perda dos locais afetaria a segurança americana.

Mas Assange não tem apenas detratores. O renomado intelectual americano Noam Chomsky se uniu a um manifesto de jornalistas, advogados e escritores australianos para que a primeira-ministra da Austrália expresse um "apoio firme" ao fundador do WikiLeaks, que tem nacionalidade australiana. "A retórica cada vez mais violenta contra Julian Assange gera graves preocupações com a segurança do fundador do WikiLeaks", afirma a carta dirigida à chefe de governo da Austrália, Julia Gillard.

Com agências internacionais



Fonte: Redação Terra

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