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Jornalista belga é agredido em confrontos no Cairo

2 fev 2011
13h40
atualizado às 14h42

Um jornalista belga foi agredido nesta quarta-feira e levado para um barracão militar na periferia do Cairo, sob a acusação de apoiar Mohamed El Baradei - um dissidente que encarna a rebelião contra o presidente Hosni Mubarak, informou o jornal Le Soir, para o qual trabalha o jornalista.

Em breve telefonema ao jornal, Serge Dumont afirmou ter sido atacado por um grupo de civis não identificados. "Foi agressivo, violento. Recebi vários golpes na cabeça. Me disseram que eu era partidário de El Baradei e me arrastaram para uns barracões perto de uma unidade militar, na periferia da cidade", disse.

"Me fizeram beber um copo d'água do Nilo, para que eu tivesse diarreia. Estou sendo vigiado por dois soldados armados com kalashnikovs. Dizem que vão me levar para o serviço secreto, porque sou um espião", acrescentou, segundo Le Soir, o principal diário de língua francesa da Bélgica.

Dumont, cujo verdadeiro nome é Maurice Sarfatti, estava cobrindo um protesto pró-Mubarak no subúrbio de Shoubra quando foi atacado e preso.

O jornalista trabalha normalmente em Israel para o Le Soir, colaborando, também, com os jornais suíço Le Temps e o francês La Voix du Temps.

Protestos convulsionam o Egito
Desde o último dia 25 de janeiro - data que ganhou um caráter histórico, principalmente na internet -, os egípcios protestam pela saída do presidente Hosni Mubarak, que está há 30 anos no poder. No dia 28 as manifestações ganharam uma nova dimensão, fazendo o governo cortar o acesso à rede e declarar toque de recolher. As medidas foram ignoradas pela população, mas Mubarak disse que não sairia. Limitou-se a dizer que buscaria "reformas democráticas" para responder aos anseios da população a partir da formação de um novo governo.

A partir do dia 29, um sábado, a nova administração foi anunciada. Passaram a fazer parte dela o premiê Ahmed Shafiq, general que até então ocupava o cargo de Ministro da Aviação Civil, e o também general Omar Suleiman, que reinaugurou o cargo de vice-presidente, posto inexistente no país desde 1981. A medida, mais uma vez, não surtiu efeito, e os protestos continuaram. No domingo, o presidente egípcio se reuniu com militares e anunciou o retorno da polícia antimotins. A emissora Al Jazeera, que vinha cobrindo de perto os tumultos, foi impedida de funcionar.

Enquanto isso, a oposição seguiu se organizando. O líder opositor Mohamad ElBaradei garantiu que "a mudança chegará" para o Egito. Já os Irmãos Muçulmanos disseram que não iriam dialogar com o novo governo. Na terça, dia 1º de fevereiro, dezenas de milharesde pessoas se reuniram na praça Tahrir para exigir a renúncia de Mubarak. A grandeza dos protestos levou o líder egípcio a anunciar que não participaria das próximas eleições, para delírio da massa reunida no centro do Cairo. Apesar de os protestos de ontem terem sido pacíficos, a ONU estima que cerca de 300 pessoas já tenham morrido no país desde o início dos protestos.



AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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