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Sobe para 12 o número de mortos em ataque à revista em Paris

Três cartunistas e o editor-chefe da publicação estão entre as vítimas

7 jan 2015
09h38
atualizado às 14h15
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A revista satírica Charlie Hebdo, que foi alvo de um ataque em novembro de 2011 após a publicação de charges do profeta Maomé, foi alvo nesta quarta-feira em Paris de um tiroteio de dois homens armados com fuzis de assalto e lança-foguetes. Ao menos doze pessoas morreram, incluindo o editor-chefe da revista e três cartunistas.

Uma pessoa ferida é socorrida após ataque ao escritório da revista satírica Charlie Hebdo, em Paris, em 7 de janeiro
Uma pessoa ferida é socorrida após ataque ao escritório da revista satírica Charlie Hebdo, em Paris, em 7 de janeiro
Foto: Thibault Camus / AP

O editor, Charb (Stéphane Charbonnier), teria sido ameaçado e tido a "cabeça" pedida pela rede terrorista al-Qaeda in 2013.

O presidente François Hollande foi até a sede da revista e convocou uma reunião de crise no palácio presidencial para as 11h (horário de Brasília). As autoridades também anunciaram que a região parisiense foi colocada em estado de alerta máximo.

Ao abandonar o prédio, os agressores atiraram contra um policial, atacaram um motorista e atropelaram um pedestre com o carro roubado.  

Vincent Justin, um jornalista que trabalha em um edifício próximo à sede da Charlie Hebdo, afirmou que duas pessoas entraram na redação do semanário e começaram a atirar. De acordo com Justin, os autores do ataque gritavam a frase "vamos vingar o profeta".

O jornal britânico Daily Mail informou que dois homens mascarados brandindo fuzis Kalashnikov e lançadores de foguetes abriram fogo contra a equipe da revista. 

A France TV noticiou que nesta quarta-feira acontecia um encontro semanal editorial da revista, o que significa que todos os jornalistas estavam presentes. 

Além do episódio de 2011, a revista Charlie Hebdo publicou caricaturas de Maomé em 2012, forçando a França a fechar temporariamente suas embaixadas e escolas em mais de 20 países em meio a temores de represálias.

Polêmicas
Coincidência ou não, a Charlie Hebdo fez a divulgação em sua edição desta quarta-feira do novo romance do controvertido escritor Michel Houellebecq, um dos mais famosos autores franceses no exterior.

A obra de ficção política fala de uma França islamizada em 2022, depois da eleição de um presidente da República muçulmano.

"As previsões do mago Houellebecq: em 2015, perco meus dentes... Em 2022, faço o Ramadã!", ironiza a publicação junto a uma charge de Houellebecq.

Foto: Charlie Hebdo / Reprodução

Foto: Reprodução/Charlie Hebdo 

A revista também publicou recentemente uma charge satírica que diz: "Nenhum ataque na França ainda! Espere, nós ainda temos até o final de janeiro para enviar os nossos desejos!". 

Repercussão 
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, reagiu condenando este ataque terrorista revoltante, e expressou solidariedade com a França na luta contra o terrorismo.

"Os assassinatos em Paris são revoltantes. Estamos ao lado do povo francês na luta contra o terrorismo e na defesa da liberdade de imprensa", declarou Cameron em sua conta no Twitter.

O vice-primeiro-ministro britânico, Nick Clegg, disse que a ação foi um "ataque" contra a liberdade de expressão e manifestou sua solidariedade com "as vítimas, famílias e colegas". 

A Casa Branca também condenou o atentado. "Todos na Casa Branca estão junto às famílias daqueles que foram mortos ou feridos neste ataque", declarou o porta-voz Josh Earnest, falando à MSNBC.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, comentou o incidente e disse que "o ataque na Fraça não é apenas um ataque aos cidadãos franceses, mas a liberdade de imprensa e de expressão".

O presidente da comissão europeia, Jean-Claude Juncker, disse estar "profundamente chocado pelao ataque brutal aos escritório da Charlie Hebdo. Esse ato intolerável, bárbaro desafia todos nos como seres humanos e europeus".

Com informações de agências e imprensa internacional. 

Fonte: Terra

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