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Itália se encaminha para formação de um Governo de união nacional

23 abr 2013
18h34
atualizado às 18h56

A Itália se encaminha para a formação de um Governo de união nacional promovido pelo recém reeleito presidente da República, Giorgio Napolitano, que na quarta-feira espera-se que anuncie a quem encomendará a formação do Executivo, dois meses depois das eleições.

Após ser reeleito pelo Parlamento e jurar de novo seu cargo ontem, Napolitano realizou nesta terça a terceira rodada de consultas da legislatura, que deve ser a última e definitiva, depois que os dois grandes partidos do país tenham se mostrado dispostos a apoiar um Executivo de unidade.

O último a se unir a esta opção é o Partido Democrata (PD), o principal de centro-esquerda, que durante uma reunião de seu Executivo em Roma aprovou o "pleno apoio" às decisões tomadas por Napolitano.

O reeleito presidente apostou ontem por uma aliança das distintas forças parlamentares.

Imerso ainda nas turbulências da divisão interna manifestada durante as votações para escolher o presidente da República, que levaram à renúncia de seu secretário-geral, Pier Luigi Bersani, o PD conseguiu aprovar hoje, por maioria, seu apoio ao Governo decidido por Napolitano, embora houve 7 votos contra e 14 abstenções.

Com a postura do PD decidida, o até agora vice-secretário do partido, Enrico Letta, um dos nomes que soam como possível candidato à Chefia do Governo, se transferiu ao Palácio do Quirinale de Roma para liderar a representação de seu partido no último encontro que Napolitano tinha previsto nesta terça-feira.

Durante sua saída, Letta explicou que seu partido considera essenciais duas linhas que o novo Governo deverá seguir: a primeira, fazer frente à crise econômica-social, sobretudo em matéria laboral, e mudar a austeridade da União Europeia; e a segunda, uma reforma da política, que agora "não é suficientemente crível".

"Por parte do PD, há disponibilidade e vontade de participar do nascimento do Governo, seguindo a linha das indicações do discurso que o presidente expressou ontem no Parlamento", disse Letta, em um comparecimento retransmitido ao vivo pela televisão.

Esta posição faz com que o fim do bloqueio político dos últimos dois meses esteja cada vez mais perto, pois a opção do PD de apoiar um Governo de união nacional junto ao partido do ex-primeiro-ministro conservador Silvio Berlusconi, o Povo da Liberdade (PDL), já não é rejeitada.

A incógnita é saber a natureza desse Governo, se será formado por políticos de diferentes partidos -como tudo aponta-, ou terá um caráter mais técnico e institucional, já que os nomes que soam com mais força para a Chefia do Executivo são o de Letta, o do ex-primeiro-ministro socialista Giuliano Amato e o prefeito de Florença, o progressista Matteo Renzi.

Em qualquer caso, hoje ficaram claros os apoios com os quais o Governo previsivelmente contará na posse no Parlamento, ou seja, o partido de Berlusconi, o PD e a formação do primeiro-ministro interino, Mario Monti, ficando no ar, dependendo do nome do primeiro-ministro, o da Liga Norte.

Os parceiros de Bersani na coalizão de centro-esquerda Esquerda Ecologia Liberdade (SEL) seguem rejeitando qualquer acordo com Berlusconi, e o Movimento 5 Estrelas (M5S) do comediante Beppe Grillo se autoproclamou como a única força que estará na oposição desta legislatura.

"Propusemos ao presidente nosso programa de vinte pontos, mas vimos que para o mundo dos partidos (tradicionais) é inaceitável qualquer proposta nossa. O M5S propõe um Governo com grandes personalidades, livres e que supõem um ponto à parte", afirmou Roberta Lombardi, porta-voz do M5S na câmara Baixa, depois de se reunir com Napolitano.

Berlusconi foi o único dos grandes líderes políticos italianos em comparecer à qual é a terceira rodada de consultas de Napolitano nos últimos dois meses (a primeira de seu novo mandato) e, depois de se reunir com o presidente da República, reiterou seu apoio a um Governo de unidade "não de trâmite, mas durável".

Uma vez que se resolva a incógnita da composição do Governo, fica uma dúvida sobre o programa de reformas que será impostos e tudo aponta para a linha das propostas feitas pelas duas comissões de sábios que formou Napolitano após as duas primeiras consultas.

EFE   
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