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Imprevisíveis, 'cruzados' alimentam debate sobre extremismo

24 mai 2013
04h25
atualizado às 04h29
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Dois irmãos de Boston instalam bombas caseiras que, ao explodir durante uma movimentada maratona, deixam três mortos e cerca de 260 feridos.

Um mês depois, em plena luz do dia, dois homens matam a facadas um soldado britânico em Londres, gritando palavras de ódio, em um ataque descrito como "bárbaro" pelas autoridades.

Separados por um oceano, os incidentes têm em comum o fato de terem sido praticados por indivíduos sectários, agindo em nome da "guerra santa" - jihad - mas sem aparente apoio logístico ou material de redes extremistas.

"A intolerância e a violência desatadas por preconceito, ódio político ou fanatismo religioso são tão antigas quanto a própria humanidade", disse à BBC Brasil Yonah Alexander, diretor do Centro International de Estudos sobre o Terrorismo do Potomac Institute, com sede em Arlington, no Estado americano da Virgínia.

"Mas estamos lidando com esses 'cruzados' em missões ideológicas, teológicas ou que quer que sejam, sem saber muito bem as regras do jogo no que concerne a eles".

'Guerras assimétricas'
Os incidentes voltaram a lançar uma luz sobre as chamadas 'guerras assimétricas' - como a chamada guerra contra o terror iniciada pelo presidente americano George W. Bush, e modificada e continuada pelo seu sucessor, Barack Obama.

É um debate que não é novo e nem está resolvido, como indicou Obama em um discurso sobre terrorismo na National Defense University, em Washington, na quinta-feira.

O presidente fez uma defesa dos polêmicos métodos usado por seu governo, entre eles, o uso de aviões não tripulados em ataques aéreos e o emprego de força letal contra certos indivíduos considerados de alto risco.

Por bem ou por mal - e por vias legais ou ilegais, já que o debate ainda está em aberto -, o discurso mostrou que os estrategistas de hoje já são capazes de desmantelar organizações extremistas da mesma forma que os generais de outrora eram capazes de vencer manobrando seus exércitos no campo de batalha.

O problema está na lógica dos ataques de Boston e Londres, onde a assimetria é maior - e a previsibilidade, menor.

"Não creio que possamos eliminar de vez esse tipo de terrorismo", disse Alexander. "Mas podemos lidar com os fatores que contribuem para a violência e a radicalização", acredita.

"Podemos não saber onde e quando os ataques vão ocorrer, mas podemos ver as tendências; podemos ver os fatores que contribuem para eles, desde divisões étnicas a preconceitos e intolerância religiosa."

Desativando o ódio
Em relatórios passados, seu centro de estudos recomenda que os governos invistam não somente em segurança, mas também em desenvolvimento econômico para criar empregos e oportunidades, e em educação para reduzir o fanatismo religioso.

E no campo da política externa, o instituto chama atenção para os benefícios da chamada "smart power" - expressão que pode se traduzir como "poder inteligente" -, que combina os aspectos "duros" da influência, como o militarismo, com o seu lado "soft", que inclui a cooperação econômica e a educação.

Em seu discurso sobre a estratégia do governo contra o terrorismo, Obama afirmou que "a tecnologia e a internet aumentam a frequência e a letalidade (do extremismo)".

"Hoje, uma pessoa pode consumir propaganda fazendo apologia ao ódio, se comprometer com uma agenda violenta e aprender a matar sem sair de casa."

Entretanto, o presidente disse que seu governo tem procurado estabelecer parcerias entre a comunidade muçulmana nos EUA - "que tem consistentemente rejeitado o terrorismo" - e a polícia para "identificar os sinais de radicalização" entre os seus indivíduos.

"Essas parcerias só podem funcionar quando reconhecemos que os muçulmanos são parte fundamental da família americana", disse Obama.

Alexander também enfatiza que cabe às sociedades, por meio de seus grupos religiosos, educacionais e políticos, e incluindo os meios de comunicação, assumir a "responsabilidade de desativar os elementos que contribuem para o ódio".

"Mas cada situação precisa ser avaliada individualmente", diz o especialista. "Não podemos oferecer soluções muito métricas nem desenhar um grande esquema que se aplique para todas elas."

 

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