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Holanda: economia, Islã e Afeganistão protagonizam eleições

9 jun 2010
08h00
atualizado às 09h37

A Holanda realiza nesta quarta-feira eleições gerais antecipadas que devem definir o novo primeiro-ministro do país. O pleito foi convocado em fevereiro após a dissolução de coalizão social-democrata que governava o país.

Da esquerda: Geert Wilders, Job Cohen, Jan Peter Balkenende e Mark Rutte, os principais candidatos a primeiro-ministro
Da esquerda: Geert Wilders, Job Cohen, Jan Peter Balkenende e Mark Rutte, os principais candidatos a primeiro-ministro
Foto: AFP

Jan Peter Balkenende renunciou em fevereiro desse ano devido a uma desavença entre os partidos da coalizão governista em relação a um pedido da Otan para a prorrogação da presença militar holandesa no Afeganistão. Com a renúncia, as eleições que estavam marcadas para março de 2011 foram antecipadas.

A Holanda possui um sistema parlamentarista multi-partidário - 19 legendas concorrem nestas eleições - que prevê que o primeiro-ministro deve emergir do partido que alcançar a maioria das 150 cadeiras da Câmara Baixa do Parlamento. Caso a maioria absoluta não seja atingida - algo comum no país -, uma coalizão de partidos deve ser formada para formar governar. O primeiro candidato da lista parlamentar do partido vitorioso será nomeado primeiro-ministro.

Segundo as últimas pesquisas de intenções de voto, os liberais do VVD ganhariam as eleições com 36 cadeiras; os trabalhistas do PDVA ficariam com 30 cadeiras; os cristão-democratas, de Balkenende, com 23 deputados; e a extrema-direita do PVV faria 18 deputados.

Confira os principais candidatos na disputa das eleições holandesas:

Mark Rutte
O líder do partido liberal VVD. Rutte, 43 anos, lidera as pesquisas eleitorais e aparece como favorito destacado para se tornar o novo primeiro-ministro do país.

Ele já anunciou que, devido à crise, provavelmente terá que realizar cortes orçamentários na ordem de 20 bilhões de euros, incluindo de serviços sociais se for eleito. Contudo, ele promete não adotar a impopular medida de mexer no sistema do país que subsidia o refinanciamento de hipotecas feitas por proprietários de casas.

Ex-ministro de Assuntos Sociais, Rutte tem a maior confiança da população para comandar a economia holandesa em tempos de crise.

Job Cohen
Cohen, 62 anos, é conhecido como o Obama da Holanda. Após a renúncia da coalizão que comandava o país, ele deixou a prefeitura de Amsterdã para assumir o comando do partido social-democrata PdvA e conduzi-lo nas eleições gerais.

Advogado, judeu e filho de acadêmicos, Cohen foi visto como conciliador por, após o assassinato do cineasta Theo van Gogh por radicais islâmicos em 2004, convocar para o diálogo comunidade islâmica do país.

Contudo, ele não é visto pela população como a pessoa ideal para lidar com a crise econômica e a classe média expressa desconfiança em seus planos de retirar as vantagens para os proprietários de casas no refinanciamento de hipotecas.

Jan Peter Balkenende
Jan Peter Balkenende, do cristão-democrata CDA, foi o primeiro-ministro do país durante oito anos, período no qual comandou quatro coalizões diferentes. Contudo, Balkenende, 54 anos, foi incapaz de encontrar um nome mais novo dentro do partido para sucedê-lo antes de se desgastar politicamente.

Balkenende renunciou em fevereiro após sua popularidade sofrer um grande abalo devido à descoberta feita por uma comissão de que ele havia apoiado a invasão americana ao Iraque, quando deveria ser claro para ele que não possuía respaldo legal para isso.

Muitos holandeses ainda acreditam que o CDA conseguiu manter o país sólido política e economicamente apesar da crise atual. Contudo, a presença de Balkenende como líder do partido fez com que ele caísse para a terceira posição nas pesquisas.

Geert Wilders
Geert Wilders, 46 anos, do partido de extrema-direita PVV, defende uma plataforma anti-imigrantes islâmicos e de redução de gastos do governo com a União Europeia.

Próximo a Israel, Wilders deseja banir os imigrantes muçulmanos, a quem acusa de serem responsáveis por grande parte da criminalidade no país. Ele critica seus rivais por terem atraído os muçulmanos ao país com promessas de bem-estar social e fechado os olhos para o fato de que a "Holanda em breve terá mais mesquitas do que igrejas".

Apesar de ter poucas chances de ganhar as eleições, a expectativa é de que o PVV dobre o seu número de cadeiras na Câmera Baixa do Parlamento, saltando de 9 para 18.

Com informações do Earth Times e de agências internacionais

Redação Terra

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