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Grillo descarta apoio que evitaria dúvidas sobre governabilidade na Itália

27 fev 2013
14h34
atualizado às 14h39

O líder do Movimento 5 Estrelas (M5S), o comediante Beppe Grillo, fechou as portas nesta quarta-feira a um possível apoio ao futuro governo da Itália, o que mantém a incerteza sobre um cenário de ingovernabilidade na Itália surgido após as eleições gerais.

Grillo usou um de seus espaços prediletos para a campanha eleitoral, a internet, para jogar um balde d'água fria sobre as aspirações do líder da centro-esquerda e candidato mais votado, Pier Luigi Bersani, que ontem pediu ao M5S para esclarecer se, como terceira principal força parlamentar, pretende permitir a governabilidade do país.

Através de seu perfil no Twitter e em seu blog, o líder do M5S deu mostras de que os complicados resultados eleitorais não farão com que retroceda em sua oposição absoluta aos políticos.

"O M5S - disse - não dará nenhum voto de confiança (à posse na Itália), nem ao Partido Demicrático (de Bersani) nem a outros. Votará no plenário as leis que reflitam seu programa, independentemente de quem as proponha".

O humorista não ficou apenas aí e publicou em seu blog um artigo intitulado "Bersani, um morto que fala", com o qual lembrou alguns ataques públicos que o líder da centro-esquerda lhe fez na campanha.

"Bersani é um acossador político. Há dias está importunando o M5S com propostas indecentes, em vez de renunciar, como em seu lugar faria qualquer outro. Conseguiu inclusive perder ganhando", afirmou o comediante, que reprovou o PD por ter apoiado o governo tecnocrata de Mario Monti e suas medidas de austeridade.

A reação de Bersani a estas palavras não se fez esperar e, poucos instantes depois de Grillo publicar sua opinião, divulgou um comunicado à imprensa com o qual o desafiou a falar pessoalmente no parlamento tudo o que pensa.

"O que Grillo tem que me dizer, incluindo os insultos, quero ouvir no Parlamento. E lá, cada um assumirá suas próprias responsabilidades", afirmou Bersani, que em sua primeira entrevista coletiva após as eleições, ontem, tinha apostado em um acordo com o M5S e descartou, por enquanto, uma aliança com Berlusconi.

Uma vez assimilados os resultados eleitorais, a Itália despertou hoje com a esperança de que um acordo entre Bersani e Grillo pudesse resolver o beco sem saída no qual sua política parece ter entrado, mas os discursos de um e de outro fazem pensar que será muito complicado encontrar o caminho certo.

Apesar da rejeição às outras coligações, Grilo não descartou apoiar as leis que forem propostas no Parlamento após seu estudo uma a uma, o que é conhecido na Itália como o "modelo siciliano", pois esta fórmula de colaboração é a utilizada pelo presidente da Sicília, Rosario Crocetta, com o M5S.

Para chegar a isso, a centro-esquerda, na qualidade de coalizão mais votada e disposta a exercer seu direito a formar o governo, deveria superar um voto de posse no Senado, onde conta com uma maioria relativa de 123 cadeiras - 35 a menos que a absoluta -, e pode fazê-lo ou com pacto ou esperando que haja menos "nãos".

A alternativa seria um acordo entre o PD e o partido de Berlusconi, o Povo da Liberdade (PdL), que tem 98 cadeiras no Senado).

Bersani, que conta com maioria absoluta na câmara baixa, mas necessita o mesmo na alta, deixou claro ontem que essa possibilidade não lhe agrada, mas Berlusconi falou de "sacrifícios políticos" nas únicas declarações públicas que fez após as eleições.

Segundo o jornal "Europa", editado pelo PD e que cita fontes próximas a Berlusconi, "il Cavaliere" prepara uma carta para Bersani na qual apela a um entendimento "responsável" para evitar o pleito e reformar a lei eleitoral que causou esta situação.

Bersani e Berlusconi podem achar um ponto de encontro na rejeição à excessiva austeridade, uma das mensagens claras que, segundo o líder da centro-esquerda, foi dada nessas eleições.

EFE   

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