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Geórgia lembra 3º aniversário da guerra contra a Rússia

7 ago 2011 06h23
| atualizado às 07h30
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A Geórgia lembra neste domingo o terceiro aniversário da guerra contra a Rússia com papoulas vermelhas de homenagem, flor escolhida como símbolo para a memória dos mortos em combate no agosto de 2008. Papoulas vermelhas de papel se repartem por toda a capital, Tbilisi, às vésperas do aniversário: em lojas e postos de gasolina, e também nas grandes empresas e organizações.

O conflito armado pelo controle da região separatista Ossétia do Sul, que, para a Geórgia, eclodiu no dia 7 de agosto de 2008 (8 de agosto, oficialmente) e custou a vida de 170 militares, 11 policiais e 219 civis georgianos em consequência dos ataques e bombardeios russos. Entre as fileiras pró-Moscou, que acusou Tbilisi de tentar reconquistar o território separatista e apresentou a entrada de suas tropas na Geórgia como uma operação de "imposição da paz", perdeu 67 uniformizados durante aquele conflito bélico, enquanto por parte da Ossétia do Sul morreram 162 militares e civis.

Depois da guerra, Rússia reconheceu a independência das regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia - a cujos habitantes já tinha concedido sua nacionalidade -, estabeleceu com elas relações diplomáticas, assinou acordos de assistência em caso de agressão externa e desdobrou bases militares nas duas repúblicas. Como resultado de tudo isso, as relações diplomáticas entre Rússia e Geórgia seguem rompidas, enquanto a Suíça faz a mediação entre os dois países.

"O restabelecimento das relações diplomáticas está longe e só poderia resultar de árduas negociações. A Geórgia nunca fechará os olhos ao fato de que a Rússia possui embaixadas em Tskhinvali e Sukhumi (capitais da Ossétia e da Abkházia, respectivamente)", disse à Efe o ex-embaixador da Geórgia em Moscou Zurab Abashidze. Atualmente, o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, oferece às autoridades russas um diálogo incondicional prévio, mas o líder russo, Dmitri Medvedev, declarou que não falará com o dirigente georgiano, a quem chamou de "criminoso". "Para mim, Saakashvili é uma pessoa de quem nunca vou apertar a mão", declarou Medvedev.

"É péssimo que Moscou não abandone posturas radicais. A União Europeia estudou as circunstâncias da guerra. Suas conclusões, (...) dadas como válidas e objetivas por Moscou, (...) dividem a responsabilidade. Quando se lê atentamente o documento, mais responsabilidade (da guerra) recai sobre a Rússia", destacou Abashidze, por sua vez. A Geórgia também não faz nada para resolver as questões pendentes com a Abkházia e Ossétia do Sul, segundo o analista Georgui Jutsishvili, diretor do Centro Internacional de Estudo de Conflitos e Negociações. "Hoje, a situação nas relações com a Abkházia e Ossétia do Sul é muito pior que há três anos", indica.

Ele lembra que a guerra fez novos refugiados na Geórgia e não há diálogo entre georgianos, abkhazes e ossétios, aos quais o Governo de Tbilisi chama de "marionetes" da Rússia. "Esperávamos que a sociedade internacional estabelecesse outra política (para a Rússia) que ajudasse à libertação (da Ossétia do Sul). Mas o que vemos é a redistribuição das forças na Europa em favor de construir relações paritárias com a Rússia, sobretudo por parte da França e Alemanha", lamentou Jutsishvili.

Paradoxalmente, as empresas russas controlam alguns dos setores estratégicos da economia georgiana. Exemplo disso é que 75% da Companhia de Distribuição de Energia de Tbilisi pertence a uma empresa russa, o que não impediu que a energia elétrica fosse mantida na capital georgiana inclusive durante os cinco dias que durou a guerra de 2008. "Não abrimos nossas portas aos tanques russos, mas nossas portas e nossos corações estão abertos para os investidores e os turistas russos", disse Saakashvili há dois anos.

Mais de 131 mil turistas russos visitaram a Geórgia neste ano, 50% a mais que no mesmo período de 2010, informou à Efe a Agência Nacional de Turismo georgiana.

EFE   
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