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França alerta que "vitória não está completa" na Líbia

23 ago 2011
05h19
atualizado às 05h29

O ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, advertiu nesta terça-feira que "a vitória não está completa" ainda na Líbia, e considerou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) deve permanecer alerta.

"Já disse ontem que a vitória não está completa. O regime está à beira do afundamento, mas ainda há focos de resistência. É preciso manter a pressão. A Otan deve permanecer alerta para chegar até o fim desta operação", assinalou o chefe da diplomacia francesa à rádio Europe 1.

O chanceler francês lembrou que os rebeldes controlam "quase a totalidade" do território líbio e "uma grande parte" de Trípoli, onde a população não se levantou em armas para defender o coronel Muammar Kadafi, tal como o líder chegou a convocar.

Juppé afirmou que manteve nesta segunda-feira uma teleconferência com os demais países aliados, na qual decidiram manter o alerta das forças desdobradas na operação contra as forças do regime líbio.

O ministro francês considerou que "a França teve um papel determinante" na operação, tanto "no plano político como no militar", no qual, junto com os britânicos, forneceram "entre 75% e 80%" dos meios mobilizados pela aliança atlântica.

Ele lembrou que não houve desdobramento terrestre no país norte-africano, com exceção dos instrutores, "que permitiram controlar e formar as tropas" do Comitê Nacional de Transição (CNT) - órgão político dos rebeldes líbios.

"Continuo dizendo que nos mantivemos no marco das resoluções permanentes do Conselho de Segurança (da ONU)", assegurou Juppé, em resposta às críticas de alguns países que consideraram que a Otan ultrapassou o mandato autorizado pelas Nações Unidas.

O ministro mostrou seu desejo de que a operação militar acabe o mais rápido possível para que comece a reconstrução da Líbia. "Nossa preocupação agora é preparar a paz", disse Juppé, que destacou que a França propôs acolher na próxima semana um encontro do grupo de contato para a Líbia.

Líbia: de protestos contra Kadafi a guerra civil e intervenção internacional
Motivados pela onda de protestos que levaram à queda os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em meados de fevereiro para contestar o líder Muammar Kadafi, no comando do país desde a revolução de 1969. Mais de um mês depois, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas.

A violência dos confrontos entre as forças de Kadafi e a resistência rebelde, durante os quais milhares morreram e multidões fugiram do país, gerou a reação da comunidade internacional. Após medidas mais simbólicas que efetivas, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a instauração de uma zona de exclusão aérea no país. Menos de 48 horas depois, no dia 21 de março, começou a ofensiva da coalizão, com ataques de França, Reino Unido e Estados Unidos.

Juppé destacou o papel da França no conflito
Juppé destacou o papel da França no conflito
Foto: EFE
EFE   
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