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ETA "lamenta" dor causada a vítimas inocentes

18 fev 2013
12h19
atualizado às 12h30
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O ex-chefe militar do grupo terrorista ETA (Pátria Basca e Liberdade), Garikoitz Aspiazu Rubina, também conhecido como "Txeroki", disse nesta segunda-feira em Paris que a organização "lamenta os danos causados" às vítimas de atentados que "não tinham a ver com o conflito". Txeroki, que será julgado a partir de hoje junto com outros ex-dirigentes do ETA, afirmou que o abandono definitivo da luta armada "é real, não é um estratagema"

Garikoitz Aspiazu Rubina em imagem de arquivo de 2011
Garikoitz Aspiazu Rubina em imagem de arquivo de 2011
Foto: EFE

Aspiazu será julgado pelo Tribunal Criminal de Paris, junto com outros nove supostos "etarras" (integrantes do ETA), e também reiterou a disposição da organização terrorista para dialogar com os governos espanhol e francês sobre o "desarmamento". Txeroki garantiu que o grupo quer tratar da desmobilização das estruturas militares, dos presos e da "readequação das forças policiais" no País Basco.

Como ocorre de costume nos comparecimentos de "etarras" em julgamentos, os terroristas disseram que não reconhecem a "legitimidade" do Tribunal Criminal de Paris. "Demos uma oportunidade para o diálogo", "demos uma oportunidade à mesa de negociações", afirmou antes de lembrar as declarações anteriores da organização renunciando de forma definitiva à atividade armada, além de insistir: "nosso compromisso é real, não é um estratagema".

Ao mencionar às acusações pelas quais os dez terroristas estão no banco dos réus em Paris, Txeroki comentou que "o ETA não nega sua responsabilidade nestes fatos" e "lamenta os danos que causou" à família de San Sebastián, sequestrada em agosto de 2007 no sudoeste da França para roubarem seu furgão. O veículo foi carregado com explosivos para um atentado - fracassado - no litoral de Castellón. Além disso, o terrorista pediu desculpas pelos danos às vítimas inocentes que "não tinham nada a ver com o conflito".

Três porta-vozes da esquerda independentista basca (Abertzale), que também participam do processo, falaram em seguida aos meios de comunicação para classificar como "muito importante e muito positivo" o pronunciamento do antigo responsável militar do ETA. Segundo Xabi Larralde, Maribi Ugarteburu e Txelui Moreno, o pronunciamento representa o "reconhecimento da dor causada" nas pessoas que foram afetadas "sem ter nada a ver com este conflito".

Ugarteburu destacou a disposição do ETA em discutir o desarmamento, o desmantelamento de suas estruturas militares, o retorno dos presos e a "readequação das forças policiais no País Basco".

Txeroki, conhecido como um dos ativistas com as posições mais radicais dentro da organização terrorista, responde a oito acusações neste processo, o primeiro realizado contra ele na França. Ele é considerado o responsável pelo fim do cessar-fogo declarado pelo grupo terrorista em março de 2005 e que foi quebrado com o atentado no dia 30 de dezembro de 2006 no estacionamento do Terminal Quatro do aeroporto de Barajas (Madrid), que causou a morte de dois imigrantes equatorianos.

Garikoitz Aspiazu era considerado o chefe militar do ETA e o "alvo número 1" das forças de segurança espanholas quando foi detido em novembro de 2008 em Cauterets (França), um dos golpes mais duros para a organização terrorista nos últimos anos.

O ETA anunciou no dia 20 de outubro de 2011 o fim definitivo de sua atividade armada.

EFE   
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