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ETA anuncia "fim definitivo" de atividades armadas

20 out 2011
15h07
atualizado em 21/10/2011 às 07h30

A organização terrorista basca ETA anunciou nesta quinta-feira que "decidiu pelo fim definitivo de suas atividades armadas". A edição digital do jornal basco Gara traz informações de um comunicado do grupo separatista.

Grupo separatista ETA anuncia fim da luta armada na Espanha

O ETA, que matou mais de 850 pessoas em seus 50 anos de história a favor de um País Basco independente, estava muito enfraquecido pela atuação policial, na Espanha e na França, que deteve vários de seus dirigentes mais importantes. O grupo armado havia declarado em janeiro uma trégua "geral e verificável", algo que havia sido recebido com ceticismo pelas autoridades espanholas, que exigiam um fim definitivo da violência.

"A ETA faz um apelo aos governos de Espanha e França para abrir um processo de diálogo direto que tenha por objetivo a resolução das consequências do conflito e, assim, a superação do confronto armado", acrescentaram. Apenas uma hora depois, o chefe de governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, saudou esta "vitória da democracia, da lei e da razão".

"Hoje, o Estado de direito triunfou como único modelo possível de convivência", declarou Zapatero. O líder do opositor Partido Popular (PP, direita), Mariano Rajoy, grande favorito para se tornar chefe do governo nas eleições de 20 de novembro, foi mais longe e pediu à ETA que torne eficaz sua dissolução.

"Consideramos que este é um passo muito importante, mas a tranquilidade dos espanhóis só será completa quando ocorrer a dissolução irreversível da ETA e seu completo desmantelamento", afirmou. O antigo Batasuna - partido tornado ilegal na Espanha em 2003 por ser o braço político da ETA -, já tinha anunciado esta terça-feira que apoiava um anúncio de cessar definitivo dos atentados e esperava que os governos francês e espanhol dessem uma "resposta positiva". A esquerda separatista basca voltará a se manifestar esta sexta-feira para fazer agora sua avaliação do fim da violência.

Considerada uma organização terrorista pela União Europeia e pelos Estados Unidos, a ETA é responsável pela morte de 829 pessoas em mais de 40 anos de atentados pela independência do País Basco. O anúncio foi feito três dias depois que uma Conferência Internacional de Paz, organizada em San Sebastián (País Basco, norte), com a presença de várias personalidades, pedisse à organização para que depusesse definitivamente as armas.

Presidida pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan e por vários atores do processo de paz na Irlanda do Norte, entre eles o líder do Sinn Fein, Gerry Adams, a Conferência pediu ainda à ETA que pedisse para negociar com os governos de Madri e de Paris. A organização seguiu, assim, as recomendações daquele encontro, que fontes próximas haviam qualificado como "encenação para permitir à ETA que faça seu anúncio".

"Acolho com agrado os termos decisivos e positivos da resposta da ETA à 'Declaração' de segunda-feira em San Sebastián", disse Adams. "Acho que sua declaração de hoje cumpre estes requisitos e insto aos governos de Espanha e França a saudá-la e aceitar negociações exclusivamente para tratar das consequências do conflito", acrescentou.

Muito debilitada pelos duros golpes policiais dos últimos anos, a ETA estava desde agosto de 2009 sem cometer atentados em território espanhol. Em 10 de janeiro havia anunciado um cessar-fogo permanente, geral e verificável pela comunidade internacional. A ETA não mencionou até agora, tampouco o fez no comunicado de quinta-feira, uma possível entrega de armas ou sua dissolução.

No entanto, nas últimas semanas se multiplicaram os gestos que levavam a crer que o fim da violência estava próximo. Há três semanas, se comprometeu a cooperar com uma comissão internacional de verificação de seu cessar-fogo, enquanto a Ekin - organização radical ilegal considerada a estrutura política da ETA - anunciava sua dissolução.

Uma semana antes, mais de 700 presos da organização armada aderiram a um acordo pedindo o fim definitivo de luta armada, ao fim de quase um ano de debate nas prisões de Espanha e França.

Com informações da EFE e da Reuters

Fonte: Terra

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