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Erdogan acusa manifestantes de dispararem contra dois policiais

18 jun 2013
09h25
atualizado às 09h57

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, defendeu nesta terça-feira mais uma vez a atuação da polícia contra os manifestantes antigoverno no país e acusou os participantes dos protestos de ter disparado com armas de fogo contra pelo menos dois agentes da polícia.

"Acusam a polícia de violência. Por quê? Usa gás lacrimogêneo. Pode fazer isso. Todos os países fazem isso. São os manifestantes que usaram a violência. Dois policiais levaram tiros", criticou o chefe de governo no Parlamento turco, sem dar mais detalhes.

A Turquia está sendo sacudida há quase três semanas por uma onda de protestos contra o governo islamita moderado de Erdogan e seu partido de Justiça e Desenvolvimento AKP, com centenas de feridos e detidos desde o fim de maio.

No discurso semanal a seu grupo parlamentar, o primeiro-ministro disse que alguns deputados do opositor Partido Republicano do povo CHP "provocam o povo como se fossem militantes de organização terroristas que usam a violência".

O líder do principal partido da oposição, Kemal Kilicdaroglu, "fez um apelo à polícia para não cumprir ordens, (como), por assim dizer, um líder de uma organização terrorista", denunciou Erdogan no Parlamento de Ancara.

Além disso, assegurou que as "organizações ilegais" que impulsionam estes protestos estão levando sua luta às escolas.

"Alguns professores e diretores de escola obrigam as crianças a sair às ruas. Nós lhes demos livros de graça, nós melhoramos o padrão nas escolas", manifestou Erdogan.

"Vamos fortalecer mais a polícia. Vamos melhorar sua força de intervenção para esses eventos. Vamos investigar tudo isso e vamos averiguar quem está por trás disso", acrescentou.

Mais uma vez, Erdogan acusou os veículos de imprensa de comunicação internacionais, explicitamente a emissora britânica "BBC" e a americana "CNN", de estar conspirando contra a Turquia, por só mostrarem certos acontecimentos da crise.

"Viram o homem sozinho na praça Taksim mas não viram os milhões (reunidos nas marchas do AKP). Mas seguiremos mostrando essas pessoas. Sexta-feira em Kayseri, no sábado em Samsun e no domingo em Erzurum repetiremos os comícios", anunciou o primeiro-ministro turco.

Segundo Erdogan, esses protestos uniram os que não costumam andar juntos "como fascistas e comunistas, ou aqueles que bebem álcool e aqueles que vão à mesquita".

"Esses demonstram que são dirigidos pelo mesmo centro. A máscara caiu. O jogo foi derrotado. O povo e seu partido, o AKP, derrotaram esse jogo", concluiu o primeiro-ministro.

EFE   
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