atualizado em 03 de Maio de 2012 às 09h52

Em debate acirrado, Sakorzy e Hollande trocam farpas na TV

O socialista Francois Hollande (esq.) e o conservador Nicolas Sarkozy participam de debate antes do segundo turno das eleições francesas, em Paris Foto: Reuters
O socialista Francois Hollande (esq.) e o conservador Nicolas Sarkozy participam de debate antes do segundo turno das eleições francesas, em Paris
Foto: Reuters
 

O debate televisionado entre o candidato socialista François Hollande e o candidato conservador e atual presidente, Nicolas Sarkozy, começou tenso nesta quarta-feira, a quatro dias do segundo turno da eleição presidencial francesa. Em diálogo acirrado, os candidatos duelaram no único debate televisivo prévio antes do pleito final, uma oportunidade vista como a última chance para Sarkozy reverter o prognóstico de derrota no próximo domingo.

Durante o debate, ambos candidatos consideraram que são a principal opção para unir os franceses. "Quero ser o presidente da união. Os franceses estão uns contra os outros, divididos. Quero reuni-los. É esse sentido de mudança que eu proponho", declarou François Hollande, abrindo o debate. "Tenho uma prova desse espírito de união: nunca houve violência durante o meu mandato", respondeu Nicolas Sarkozy. "Há aqueles que falam de união, e aqueles que a fizeram", acrescentou.

Depois, o atual presidente afirmou que seu adversário não podia ser um promotor da união por ter deixado seus assessores atacá-lo, comparando-o ao investidor americano Bernard Madoff, preso pelo FBI em dezembro de 2008 por fraude, ou fazendo um paralelo entre alguns de seus comícios e os realizados na Alemanha nazista ou no franquismo. "Senhor Sarkozy, você faz mal em se passar por vítima", respondeu Hollande antes de afirmar que condena "todos os excessos".

O debate único de duas horas e meia é transmitido por cerca dez redes de televisão e é acompanhado por cerca de 20 milhões de telespectadores. O candidato socialista recebeu 28,6% dos votos no primeiro turno contra 27,2% do presidente atual. Todas as pesquisas o apontam como vencedor no domingo com de 53 a 54% dos votos, embora o atual presidente tenha conseguido reduzir a vantagem de seu rival nos últimos dias.

Pequeno caluniador
Em certo momento do debate, Nicolas Sarkozy chamou François Hollande de "pequeno caluniador" ao ser acusado pelo rival de nomear amigos para ministérios e demais órgãos públicos. "Você nomeou amigos em todas partes", acusou Hollande, irritando o atual presidente. "Isto é uma mentira, uma calúnia. Você é um pequeno caluniador ao dizer isto", respondeu. "Isto foi exatamente o que você fez com os membros da magistratura", insistiu o candidato socialista no debate. Sarkozy lembrou que a Comissão de Finanças da Assembleia Nacional (Câmara dos Deputados) foi entregue a um socialista, quando a "maioria (governista) poderia conservá-la".

Impopular
Mais impopular presidente a disputar uma reeleição na França, e o primeiro na história moderna a não ter liderado no primeiro turno, Sarkozy é visto por muitos como responsável pelos problemas econômicos da França. Além disso, seu estilo pessoal desagrada grande parte do eleitorado. Depois do segundo turno, ele tem feito propostas - especialmente de controle imigratório - que buscam atrair o eleitorado que no primeiro turno deu quase 18% dos votos à ultraidireitista Marine le Pen. Na terça-feira, Le Pen liberou seus 6 milhões de eleitores para votarem como preferirem, no que representou mais um golpe para as esperanças de Sarkozy, que esperava uma declaração de apoio dela.

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