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Dois estrangeiros mortos em ataque de islamitas na Argélia

16 jan 2013
16h34
atualizado às 16h37

Dois estrangeiros, incluindo um britânico, morreram nesta quarta-feira, segundo Argel, durante um ataque executado em um campo de gás no leste da Argélia por islamitas armados dizendo-se originários do Mali, que indicaram também ter feito 41 ocidentais reféns.

Um combatente contatado pela AFP afirmou que os agressores tinham agido em represália à intervenção militar francesa iniciada na sexta-feira no Mali para impedir uma ofensiva de grupos islamitas armados.

O ataque foi efetuado no início desta quarta em instalações de um campo de gás explorado pela empresa nacional Sonatrach com as companhias britânica British Petroleum e norueguesa Statoil em Tigantourine, a 40 km de In Aménas, próximo à fronteira líbia.

Segundo a agência oficial argelina APS, citando uma fonte da prefeitura local, dois estrangeiros, incluindo um britânico, foram mortos no ataque.

Consultado pela AFP, o Ministério britânico das Relações Exteriores indicou que não está em condições de confirmar a morte de um de seus cidadãos. Em um comunicado, apenas "confirmou que britânicos foram tomados como reféns no incidente perto da cidade de In Aménas".

O Ministério argelino do Interior havia anunciado antes um estrangeiro morto, seis feridos, sendo dois estrangeiros, e várias pessoas mantidas como reféns por um "grupo terrorista" não identificado.

Um porta-voz dos sequestradores islamitas, citado por dois sites de notícias mauritanos, a Agência Nouakchott e a Sahara Medias, afirmou que "41 cidadãos ocidentais, incluindo sete americanos, franceses, britânicos e japoneses" tinham sido feitos reféns.

Ele indicou que cinco reféns estavam em poder dos sequestradores na usina, enquanto os outros 36 estavam em um "abrigo".

Um combatente contatado por telefone pela AFP afirmou que os agressores são membros da Al-Qaeda, provenientes do Mali.

"Somos membros da Al-Qaeda e viemos do norte do Mali. Pertencemos à brigada Khaled Aboul Abbas, Mokhtar Belmokhtar", acrescentou, lembrando que Belmokhtar "havia ameaçado responder a qualquer intervenção militar no Mali".

Belmokhtar, chamado de "Caolho", é um dos chefes históricos da Al-Qaeda no Magreb Islâmico (Aqmi).

Argel havia anunciado na terça-feira o fechamento de sua fronteira com o Mali, depois de ter manifestado seu apoio "inequívoco" às autoridades de transição no Mali.

Em um comunicado, o Ministério argelino do Interior explicou que "um grupo de terroristas, fortemente armado, havia chegado a bordo de três veículos e atacado nesta quarta-feira às 05h00 (02h00 de Brasília), a base da Sonatrach em Tigantourine".

"O ataque começou contra um ônibus que deixava essa base e levava estrangeiros para o aeroporto de In Aménas", acrescentou o ministério, indicando que ele fora "rechaçado pelas unidades de escolta".

"Após essa tentativa fracassada, o grupo terrorista se dirigiu para a base e tomou como reféns um número indeterminado de trabalhadores, incluindo cidadãos estrangeiros", acrescentou.

Uma célula de crise foi estabelecida, segundo a APS.

A Irlanda indicou que um de seus cidadãos, originário da província britânica da Irlanda do Norte, tinha sido sequestrado, enquanto Tóquio informou "um certo número de japoneses reféns".

A esposa de um funcionário norueguês disse ao jornal local Bergens Tidende (BT) que seu marido também estava entre os reféns. "Meu marido me ligou de manhã. Ele me disse que tinha sido feito refém".

Um porta-voz da embaixada da França informou que "não pode confirmar que um cidadão francês foi feito refém".

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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