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Dezenas de ciganos chegam à Romênia repatriados pela França

19 ago 2010
11h49
atualizado às 12h34

Dezenas de ciganos romenos repatriados da França chegaram nesta quinta-feira em um voo regular a Bucareste, os primeiros desde o endurecimento da política francesas em relação a esta minoria.

Mulher carrega a filha ao entrar em ônibus no aeroporto de Lyon, antes de embarcar para a Romênia
Mulher carrega a filha ao entrar em ônibus no aeroporto de Lyon, antes de embarcar para a Romênia
Foto: AP

O grupo de ciganos chegou sob escolta policial ao aeroporto de Lyon (centro-leste da França) a bordo de dois ônibus e depois pegou um voo da companhia romena Blue Air.

"Era muito duro na França, havia pressões o tempo todo. A polícia, a prefeitura", queixou-se Gabriel, um dos ciganos que foi repatriado junto com a esposa e duas filhas.

O presidente romeno Traian Basescu reclamou nesta quinta um programa europeu de integração de ciganos, uma exigência feita desde 2008, enquanto que a imprensa romena denunciava a ausência de um programa coerente de reinserção no país, já que é provável muitos repatriados voltem para a França.

Segundo o ministério romeno do Interior, um total de 93 ciganos foram repatriados para a Romênia nesta quinta-feira, na primeira operação desse tipo desde o endurecimento da política francesa em relação a esta minoria.

A França prevê a repatriação, antes do fim do mês, de 700 ciganos em situação irregular para Romênia e Bulgária no âmbito do plano de retorno voluntário a seus países de origem, uma decisão que acentua a polêmica pela política de segurança do governo.

Em 2009, 44 voos deste tipo foram organizados e 10 mil romenos e búlgaros foram levados para seus países, segundo as autoridades francesas que reconhecem, no entanto, que as pessoas expulsas, membros da União Europeia (UE), poderiam voltar à França sem visto e permanecer três meses sem justificação.

Quatrocentas mil pessoas, 95% delas francesas, fazem parte da comunidade cigana na França. O restante é formado por ciganos de origem búlgara, romena e de outros países dos Bálcãs, cujo número aumenta constantemente, segundo o governo.

Calcula-se que haja 15 mil ciganos em situção irregular na França.

A ONU criticou severamente a França por estabelecer uma relação entre imigração e insegurança. Na França, o governo de direita foi acusado pela esquerda de promover um "racismo de Estado".

A Comissão Europeia afirmou nesta quarta-feira que está acompanhando atentamente a polêmica repatriação de ciganos romenos e búlgaros que a França prepara para os próximos dias, aconselhando o governo francês a respeitar as regras sobre a proteção dos cidadãos europeus.

Romênia e Bulgária, de onde são oriundos os 700 ciganos passíveis de repatriação, tornaram-se membros da União Europeia em 1º de janeiro de 2007.

Apesar de posições contraditórias, o governo está convencido de que todo este tema fortalece Sarkozy frente às eleições presidenciais de 2012, após o escândalo político-financeiro dos últimos meses, protagonizado pelo ministro do Trabalho, Eric Woerth, e a mulher mais rica da França, Liliane Bettencourt, que respinga no próprio presidente.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 

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