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Cooperação entre Otan e Rússia inicia nova era em sua relação

20 nov 2010
20h27
atualizado às 21h05

Otan e Rússia abriram neste sábado as portas para uma nova era em sua relação, que pode marcar o futuro da segurança na Europa, com a decisão de explorar as possibilidades de cooperar em um "escudo" de proteção de todo o território europeu frente a ataques com mísseis.

Presidente russo especificou que sua aceitação em participar do "escudo" está condicionada a que a colaboração se desenvolva "em pé de igualdade e com transparência"
Presidente russo especificou que sua aceitação em participar do "escudo" está condicionada a que a colaboração se desenvolva "em pé de igualdade e com transparência"
Foto: Reuters

O secretário-geral da Aliança Atlântica, Anders Fogh Rasmussen, anunciou o acordo no encerramento da cúpula realizada em Lisboa, que reuniu os chefes de Estado e governo dos países da Otan com o presidente russo, Dmitri Medvedev.

Foi a primeira cúpula depois que as instáveis relações entre Moscou e a organização político-militar ocidental sofreram uma dura prova com a guerra entre Rússia e Geórgia em agosto de 2008, que causou um congelamento na cooperação. A reunião deste sábado encenou a reconciliação e o desejo de ambas as partes de afiançar os vínculos.

Para Rasmussen, as decisões adotadas supõem "um novo começo" na colaboração entre os antigos adversários, após as duas partes constatarem que já "não representam uma ameaça mútua", mas, pelo contrário, afrontam os mesmos desafios - terrorismo, extremismos, proliferação de armas de destruição em massa, tráfico de entorpecentes e pirataria.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, definiu o novo espírito que reina ao afirmar em entrevista coletiva que para os aliados a "Rússia é um parceiro, não um adversário". "Entramos em uma nova fase de cooperação rumo a uma autêntica associação estratégica", diz o comunicado da cúpula assumido por ambas as partes.

Este texto recolhe o acordo para analisar as possibilidades da cooperação em um sistema de defesa antimísseis e a incumbência de um estudo que será avaliado pelos ministros da Defesa de ambas as partes no mês de junho. Segundo o secretário-geral da Otan, os detalhes dessa colaboração "ainda não podem ser concretizados" e o acordado neste sábado foi "iniciar uma análise" para ver se é possível desenvolver a cooperação já que existem questões técnicas que precisam ser esclarecidas.

Fontes da Aliança explicaram que não se trataria de desenvolver um único sistema integrado de defesa contra mísseis, mas de tornar compatível o "escudo" da Rússia com o da Otan. A Organização desenvolve, atualmente, um sistema de defesa antimísseis de proteção de tropas, que quer adaptar para transformá-lo em um "escudo" que proteja o território e os povos europeus.

O presidente russo especificou que sua aceitação em participar do "escudo" está condicionada a que a colaboração se desenvolva "em pé de igualdade e com transparência". Também disse que Moscou tem que analisar "o que será" esse sistema antimíssil, sobre o qual advertiu que poderia "romper o equilíbrio". No entanto, confirmou a disposição de seu país em estudar a proposta da Otan, um passo muito significativo depois da frontal oposição do Kremlin aos planos do anterior presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de criar um sistema antimísseis que requeria lugares na Polônia e na República Tcheca.

Para Medvedev, no mundo atual os países são "interdependentes" e as decisões de alguns influem sobre os demais, por isso advertiu que se não chegarem a um acordo em torno da defesa antimísseis em dez anos "haverá uma nova corrida nuclear", o que não beneficiaria ninguém, disse.

Neste contexto, advogou por evitar uma nova corrida nuclear que repercutiria negativamente sobre o desenvolvimento da Rússia e a qualidade de vida de seus cidadãos e na de outros países. Otan e Rússia também fizeram outros acordos, entre eles aumentar a colaboração relativa à estabilização do Afeganistão, que afetam o trânsito por território russo de material e equipamento militar.

A Rússia também vai aumentar sua ajuda a esse país, de onde teve que se retirar em 1989 após uma ocupação de dez anos, com o treinamento de pilotos de helicópteros, e abrirá um segundo centro de preparação de especialistas na luta contra drogas para países da Ásia Central.

EFE   

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