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Clube de jornalistas londrino abrigou Assange antes da prisão

13 dez 2010
11h26
atualizado às 11h37
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Harold Haag
Direto de Londres

Até a sua prisão, na última terça, o paradeiro de Julian Assange, fundador do site WikiLeaks, era desconhecido. Foi uma surpresa quando descobriu-se que o homem mais procurado pela Interpol nas últimas semanas há semanas estava em Londres. Mais especificamente em um lugar chamado Frontline Club, tradicional ponto de encontro de jornalistas que buscam trocar informações ou apenas um lugar agradável para almoçar.

Fundado por Vaughan Smith, um ex-militar, ex-apresentador de TV e que atualmente se dedica à agricultura orgânica, o clube existe desde 2003. Fica focalizado no oeste de Londres, próximo a Paddington, em um prédio de fachada vitoriana de três andares e com tijolos aparentes. Abriga salas de conferência, cinemas, uma área de exposições com fotografias de guerras e de ex-membros mortos enquanto faziam coberturas de conflitos pelo mundo, uma área para cursos, além de um restaurante de comidas orgânicas.

Em conversa com o Terra , Smith disse que o objetivo declarado do Frontline Club é servir como base e ponto de encontro para que jornalistas veteranos ou inexperientes, que sejam locais ou correspondentes, mas que tenham coberto guerras, possam trocar ideias e compartilhar histórias do front, bem como ajudar uns aos outros.

O clube é muito mais do que um lugar social. "É um local para mostrarmos documentários, debatermos diversos assuntos e para jovens jornalistas aprenderem o ofício - desde como fotografar em situações de perigo, fontes no Afeganistão e como evitar problemas ou não ser explorado quando estiver realizando trabalhos em locais pouco convencionais", disse ele, em entrevista ao jornal Evening Standard .

Com mais de 1,5 mil membros e um forte posicionamento esquerdista, o clube é composto principalmente por jornalistas britânicos, além de alguns diplomatas. Segundo Smith, em uma sondagem informal, a grande maioria dos associados mostrou-se favorável ao WikiLeaks e à guarida oferecida a Julian Assange. Na entrevista ao diári londrino, o fundador do clube deixou claro, no entanto, que o clube não financia ou subsidia Assange.

Segundo o Smith, Assange escolheu o Frontline Club inicialmente para uma conferência de imprensa relacionada ao vazamento de documentos da guerra do Afeganistão em agosto e, desde então, muitos membros passaram a apoiá-lo por achá-lo extremamente carismático e bem-informado. "Com isso passamos a permitir que ele trabalhasse a partir dos quartos do clube quando estão desocupados", disse Smith.

Não está claro se o Frontline Club cometeu qualquer ato ilícito ao abrigar Assange quando a polícia britânica já o estava buscando. Na verdade, está pouco claro inclusive se a distribuição de documentos secretos do governo americano infringiu qualquer lei inclusive dos EUA.

O certo é que a imparcialidade do Frontline é inexistente neste caso - Vaughan Smith ofereceu o endereço do clube para Assange no caso de liberdade condicional. E Jemima Khan, uma das associadas mais proeminentes da fundação, se ofereceu para pagar a fiança do australiano, algo que só deve acontecer após o dia 14, quando Julian Assange terá nova audiência em uma corte londrina ainda não divulgada.

O vazamento WikiLeaks
No dia 28 de novembro, a organização WikiLeaks divulgou mais de 250 mil documentos secretos enviados de embaixadas americanas ao redor do mundo a Washington. A maior parte dos dados trata sobre assuntos diplomáticos - o que provocou a reação de diversos países e causou constrangimento ao governo dos Estados Unidos. Alguns documentos externam a posição dos EUA sobre líderes mundiais.

Em outros relatórios, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pede que os representantes atuem como espiões. Durante o ano, o WikiLeaks já havia divulgado outros documentos polêmicos sobre as guerras do Afeganistão e do Iraque, mas os dados sobre a diplomacia americana provocaram um escândalo maior. O fundador da organização, o australiano Julian Assange, foi preso no dia 7 de dezembro, em Londres, sob acusação emitida pela Suécia de crimes sexuais.



Redação Terra

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