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Cientistas quantificam "fraude eleitoral extrema" na Rússia

27 jan 2012
16h10
atualizado às 17h27
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Pesquisadores da Universidade de Viena elaboraram um modelo estatístico para quantificar o alcance da manipulação em processos eleitorais, como o ocorrido no último ano nas eleições parlamentares da Rússia, onde calcularam que houve fraude em 64% dos distritos. Os cálculos da equipe, liderada pelo físico austríaco Peter Klimek, revelam que em 3 mil distritos eleitorais, dos 60 mil do total, foram registrado o que os cientistas qualificam como "fraude eleitoral extrema".

Manifestantes participam de comício para protestar contra as violações durante as eleições parlamentares na praça Bolotnaya, em Moscou
Manifestantes participam de comício para protestar contra as violações durante as eleições parlamentares na praça Bolotnaya, em Moscou
Foto: Reuters

Nestes distritos, a Rússia Unida, partido do primeiro-ministro, Vladimir Putin, obteve 100% dos votos, com participação de 100% dos eleitores. Para explicar melhor o alcance dessa fraude, Klimek recorre ao mundo do futebol: "É tão provável como se um time tivesse vencido 5% de suas partidas com um marcador de 100 gols a zero". Os dados analisados pelos cientistas austríacos também indicam que a fraude eleitoral na Rússia parece crescer em intensidade de eleição em eleição.

No pleito de 2003 e 2007, as manipulações afetaram algo próximo de 30% dos colégios eleitorais, enquanto a percentagem das "fraudes extremas" foi "só" de 1% há nove anos e de 4% há cinco. Com estas manipulações - que segundo Klimek se devem ao chamado "ballot stuffing", ou seja, encher as urnas com cédulas antes do começo do pleito -, o partido de Putin conseguiu quase 50% dos votos e uma maioria absoluta no Parlamento nas últimas eleições, o que causou uma onda de protestos em todo país.

"Se isto for feito sistematicamente, os distritos afetados aumentam a participação e o apoio de certo partido, enquanto os demais seguem em seu nível normal", explica o físico austríaco, que realiza suas pesquisas no centro estatístico da Universidade de Medicina de Viena. Segundo os cálculos de sua equipe, em condições regulares, o partido de Putin teria conseguido apenas entre 30% e 35% dos votos nas últimas eleições.

O estudo de Klimek analisa a apuração oficial de eleições realizadas nos últimos dez anos na Espanha, Finlândia, Reino Unido, Áustria, Suíça, Estados Unidos, Rússia e Uganda O estudo, escrito por três pesquisadores austríacos e um russo, é chamado de "Não é a votação o que faz a democracia, é a apuração: detecção estatística de irregularidades sistemáticas em eleições", e será publicado nos próximos meses em uma revista científica internacional. Aparentemente, este título faz alusão a uma famosa frase atribuída ao ditador soviético Josef Stalin: "Não importa como se vota, mas quem faz a apuração".

"Nosso objetivo é oferecer aos observadores internacionais em processos eleitorais uma ferramenta para poder detectar rapidamente manipulações nas eleições", assegura Klimek. No entanto, o investigador reconhece que o modelo elaborado não serve como "prova" de acusação para uma suposta fraude eleitoral, já que o estudo só oferece um cálculo estatístico.

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EFE   
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