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Biografia marca centenário e mostra Eva Braun à sombra de Hitler

25 fev 2012
11h25
Laura Serrano-Conde
Da agência EFE

Um século após seu nascimento, Eva Braun continua sendo um mistério. Foi a companheira de Adolf Hitler desde 1929 e sua esposa por um dia, o anterior a seu suicídio em 1945 e, no entanto, pouco se sabe de sua vida.

Eva Braun posando em cima da escrivaninha na Photohaus Hoffmann (1930); biografia marca centenário do seu nascimento
Eva Braun posando em cima da escrivaninha na Photohaus Hoffmann (1930); biografia marca centenário do seu nascimento
Foto: Random House Mondadori / EFE

Sempre à sombra do grande ditador, eclipsada pela personalidade de uma das figuras mais importantes do século XX e possivelmente a única pessoa que conheceu realmente Hitler, além da imagem que se projetou dele como carismático orador.

Agora, a historiadora Heike Görtemaker descobre em Eva Braun. Uma vida com Hitler a uma mulher comprometida politicamente, uma das mais poderosas entre "as primeiras-damas" do Terceiro Reich e a pessoa que esteve mais perto do Führer nos piores momentos da Alemanha da Segunda Guerra Mundial.

Nascida no dia 6 de fevereiro de 1912, Eva Braun foi a segunda das três filhas de Friedrich Braun, professor, e Franziska, estilista de moda.

Eva sempre manteve uma estreita relação com sua irmã Gretl, a mais nova das três; enquanto com Ilse, a mais velha, o tratamento era mais frio. Ilse saiu de casa em 1929 para ir viver em Monique com Martin Marx, que era judeu, o que provocou tensões entre as duas irmãs.

Ilse, da mesma forma que seus pais, nunca aprovou o romance que Hitler e Eva Braun mantiveram. Apesar de tudo, esta seguiu em frente com sua relação. Aos 17 anos começou a trabalhar como aprendiz no estúdio de fotografia de Heinrich Hoffmann, o fotógrafo pessoal de Hitler.

"O estúdio ficava entre as ruas Amalienstrasse e a Theresienstrasse, bem em cima do Café Stefanie, um dos lugares de reunião favoritos dos líderes do NSDAP", explica Heike em seu livro. Foi justamente neste estúdio que Eva conheceu o único homem que amaria durante toda sua vida e com o qual morreria 16 anos mais tarde em Berlim.

Tudo aconteceu em uma noite de outubro de 1929, quando um senhor chamado Wolf entrou na loja. Hoffmann então encarregou Eva de ir comprar cervejas e tira-gostos em um restaurante próximo. Durante o jantar, o senhor Wolf não deixou de olhá-la e inclusive se ofereceu para acompanhá-la até sua casa, embora ela tenha rejeitado o convite.

Antes de ir embora, Hoffmann perguntou a Eva se não tinha reconhecido o estranho visitante. "É Hitler, nosso Adolf Hitler", lhe disse.

A partir de então, as visitas do que se transformaria em um ditador foram mais frequentes e Eva Braun começou a se interessar por esse homem tão amável, que a convidava para a ópera e para jantar em restaurantes luxuosos.

Sempre na sombra do Führer
Apesar de ter uma relação com Hitler, este sempre a manteve em segredo. Muitos poucos, só os que pertenciam ao círculo mais próximo do ditador, conheciam sua existência, enquanto para o resto da sociedade, Eva Braun era uma desconhecida.

Hitler tinha manifestado em diferentes ocasiões sua rejeição a formalizar uma relação e ter filhos. Ele, dizia, "era um líder e era casado com a Alemanha".

"As mulheres se aproximam de mim porque sou solteiro. É como no caso de um ator de cinema: quando se casa, perde para as mulheres que o adoram aquele certo quê; deixa de ser seu ídolo", comentava. No entanto, ela o amou de corpo e alma, e se esforçou durante toda sua vida para comprazer-lhe e chamar sua atenção; tanto é que tentou se suicidar duas vezes.

Andava sempre maquiada e bem vestida, atendia aos amigos de Hitler com excessiva cortesia e, como afirmou o membro da Waffen-SS Rochus Misch, "a autenticidade e a naturalidade não eram o seu forte", reconheceu Heike em seu livro.

Com hitler até o final
Em 25 de abril de 1945, com as tropas soviéticas assediando Berlim, Hitler se deu conta de que o final estava perto, por isso que decidiu se proteger em um bunker construído no prédio da Chancelaria do Reich. Permaneceu nele até o dia de seu suicídio, mas um dia antes, em 28 de abril, se casou com Eva Braun, uma decisão que foi tomada naquela própria manhã.

"Já que acreditava durante os anos de luta que não podia assumir a responsabilidade de formalizar um casamento, eis que decido, antes de abandonar esta órbita terrestre, transformar em minha esposa a mulher que, após anos de fiel amizade, chegou por vontade própria à cidade cercada para compartilhar seu destino com o meu", escreveu Hitler em seu testamento.

Em 29 de abril, Eva e Adolf Hitler se suicidaram: ela engoliu uma cápsula de ácido cianídrico e ele atirou na têmpora direita.

"Os corpos foram levados ao jardim da Chancelaria do Reich, borrifados com gasolina e queimados", conta a historiadora Heike Görtemaker. Ali poderiam descansar juntos eternamente.

EFE   

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